segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A "negociata" patriótica da Esquerda



No auge da polémica em torno dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o PCP anunciou que iria apresentar uma proposta para a criação de uma comissão eventual de inquérito parlamentar. Esse inquérito parlamentar pretendia apurar as responsabilidades dos vários Governos e administrações dos ENVC.
Entre os vários episódios que justificariam este inquérito parlamentar, o "caso do navio Atlântida, que encomendado e posteriormente repudiado pelo Governo Regional dos Açores em circunstâncias que nunca foram devidamente clarificadas, teve consequências desastrosas para a empresa."
Esta proposta, submetida no dia 6 de Dezembro, não recolheu apoio parlamentar suficiente, nomeadamente do Partido Socialista, e acabou chumbada.
Não satisfeitos, os comunistas voltaram à carga, e dias depois apresentaram nova proposta, que desta feita foi aprovada, com o apoio de 22 deputados socialistas.

Mas o que mudou, então, para permitir esta reviravolta?

Quando consultamos a nova proposta, percebemos que o PS só aprovou a proposta depois de se certificar que a Comissão não investigaria nada relacionado com a gestão dos seus governos.

Para o PCP já não é importante saber o que aconteceu com as contrapartidas do negócio dos submarinos.

Para o PCP, já não é importante clarificar o negócio do "Atlântida", episódio ainda mais estranho quando relembramos que ocorreu entre dois governos ( Nacional e Regional) de executivo socialista.

Para o PCP, já não é importante aferir quais os resultados dos negócios com a Venezuela, tão noticiados em 2010, aquando da visita de Hugo Chavez.

Afinal apesar das ultimas afirmações de António Filipe, os factos dizem-nos que o PCP pretende utilizar este inquérito parlamentar, não como um instrumento de apuração de factos e responsabilidades, mas sim como uma plataforma de ataque ao actual Governo.
O PCP, também pela voz de António Filipe, confronta muitas vezes outros partidos e dirigentes políticos com alegadas contradições nos seus discursos e decisões políticas. A autoridade moral com que o PCP lança estas acusações, advém da exaltação da sua coerência ideológica, e da sua capacidade de resistir ao pragmatismo ditado pela conjuntura.

Pois neste processo o PCP manchou esse património histórico, ao deixar de lado a busca pela verdade, a investigação daquilo que, em Setembro de 2013, António Filipe considerava ser um "estranho caso do navio Atlântida, que devia ser um caso de polícia e cujas responsabilidades das administrações dos Estaleiros e dos Governos dos Açores e da República nunca foram apuradas como deviam..."

Assim não, camarada!