quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A verdade da mentira, na luta pelo poder no PS


Em Dezembro de 2013, quando especulava com amigos sobre a conjuntura política, dizia-lhes que António José Seguro teria dificuldades em manter a liderança no PS até às legislativas, mas que o único timing possível (tendo em conta a experiência do golpe de estado falhado em Fevereiro de 2013) seria num cenário pós eleições europeias.

Eurosondagem no Expresso - Fevereiro de 2013

A evolução política dos jogos de poder no PS neste ano que passou fez muito para desgastar António José Seguro.
A apresentação de uma moção de censura sob pressão interna da ala socrática, as escolhas que fez no processo autárquico, algumas resultando em derrotas inesperadas ( Braga, Évora, Beja, Guarda, Loures e Matosinhos), ensombraram a sua vitória.
No auge da campanha, Carlos César foi uma das vozes que lançou críticas, e exigiu um resultado expressivo ao líder do PS, sob pena de ficar em causa a sua liderança no partido. Enquanto Seguro cantava vitória na noite das eleições, já destacados militantes do PS faziam referência ao "peso", que a maioria absoluta de António Costa em Lisboa teve no resultado global.
Estava aberta a "caça ao líder"do PS.
Não é assim surpresa nenhuma que o mesmo Carlos César venha, alguns meses depois, fazer a mesma pressão sobre Seguro, afirmando que "se PS não tiver bom resultado nas europeias a liderança está em causa".

Mas hoje a oposição interna ao Secretário-Geral do PS apresenta-se com uma estratégia concertada, nomeadamente para fragilizar a imagem do próprio partido para as Europeias.
Afinal, agora que pelo menos 4 figuras do PS foram convidados para cabeça de lista às eleições europeias, e recusaram por razões diversas, como é que se vai apresentar o candidato que finalmente aceitar essa missão? Como a quinta ou sexta escolha?

Os comportamentos erráticos do PS, as hesitações, os pedidos de demissão do governo às terças-feiras, e os acordos com o governo no dia, as propostas de aumento de despesa na mesma semana em que se exige ao Governo uma saída "à irlandesa"... enfim, todas essas incoerências mostram uma liderança reactiva, incapaz de tomar a iniciativa política e tomar decisões firmes.

No final do dia não importa se Carlos César disse ou não a verdade, e muito menos que o PS desmentiu as suas declarações. O mal já está feito, porque a liderança geriu mal o processo,e a sua equipa está para a oposição, como o Sporting esteve ontem para o Benfica, tenrinho tenrinho!