terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os portugueses gostavam de sair "à escocesa"!




Hoje o insurgente confronta António José Seguro com a incoerência das suas declarações de ontem, em que defendeu que Portugal deve ter um programa cautelar, e evitar uma "saída à Irlandesa".
Estas declarações surgem muito próximas de outras, feitas em Janeiro, em que Seguro exigia ao Governo que levasse o país para uma saída limpa.

Eu percebo que Seguro ande confuso. 

Não sabe se deve ser oponente ou proponente, não sabe se deve escolher Maria de Belém ou Francisco Assis para as europeias, não sabe se deve defender o Governo Sócrates ou repudiá-lo, não sabe se saímos à irlandesa, ou não.

Não sabe. 
Sobretudo porque Seguro quer o apoio do país, mas não sabe o que o país quer.
E o país é um pouco complexo, porque sabe o que quer, mas também sabe o que tem que fazer, e aí reside o dilema.
O problema todo é que o comum dos portugueses gostava mais de uma "saída à escocesa".
Seria épico ver o país todo unido, junto às partidas do Aeroporto da Portela , gritando que nem uns animais e ostentado as nossas "bochechas rosadinhas" aos credores, enquanto brindávamos a troika e C&A com um chorrilho de vitupérios altamente injuriosos.

Era bom não era? Quem é que não concorda com isto?

Afinal, Portugal já "mostrou o dedo" à comunidade internacional no passado, quando nos afirmámos "Orgulhosamente Sós", uma aventura que   custou quase 9 mil mortos, 25 mil deficientes, mais de 100 mil feridos e doentes e 140 mil vítimas de stresse pós traumático. 
Do ponto de vista económico, basta perguntarmos aos nossos avós como se viveu em Portugal nesses anos de guerra e sanções internacionais, nem precisamos de ir aos livros.

13 de Março, 1961
Os portugueses, como sangue que corre nas veias desta velha nação, sabem bem o preço duro que pagamos, quando tomamos atitudes que nos isolam da comunidade internacional.

A gritaria histérica, os discursos inflamados, as correntes patrióticas, nacionalistas, da esquerda à direita, são o prato do dia dos pseudo-intelectuais que pululam na comunicação social, mas não representam um caminho que os portugueses queiram seguir.

Por tudo isto o país, como criatura pragmática que é, também sabe o que tem que fazer para regressar a tempos mais prósperos, e reconhece que precisa dos credores, dos parceiros europeus, dos chineses, brasileiros, angolanos, enfim... todos serão poucos para vir investir em Portugal.

Curiosamente, a retórica de António José Seguro não lhe permite olhar em volta, e ver que os portugueses têm demonstrado, pelos seus actos, o que decidiram fazer a respeito desta crise.
E decidiram não desistir, decidiram que a sua maior vitória está em sobreviver esta tempestade, aguentando "o barco" e resistindo a todas as provas.

Só os intelectuais sonham com um climax de sacrifício heróico em nome de princípios assentes num lirismo que nunca vingou em lado nenhum.
O português, o "tuga" que a esquerda caviar corteja com um desprezo mal contido, esse escuta as suas palavras inflamadas no jornal da noite, e depois apaga a luz para dormir, porque amanhã é dia de resistir mais um bocadinho. 
Como um bom escocês.