terça-feira, 3 de junho de 2014

República ou Monarquia? #Cavaco #Soares #DuartePio #JuanCarlos #Eanes #Sampaio #Spínola

Muitos são os argumentos utilizados a favor da monarquia.

O argumento do desenvolvimento Económico:
Dizem que as economias mais saudáveis e estáveis são monarquias, mas esquecem-se sempre de referir os Estados Unidos, a França e a Alemanha.Também se esquecem de referir que a governação depende dos governos eleitos e dos respetivos parlamentos, pelo menos desde o fim do absolutismo. 

O argumento dos partidos:
Dizem que os Reis não estão sujeitos aos partidos. Mas esquecem-se de dizer que tanto como quem integra os partidos, estão sujeitos às famílias, à sua própria consciência e ao poder económico (vê mais aqui), para não falar que os partidos em Espanha têm tanta ou mais influência que em Portugal.

O argumento da estabilidade:
Alegam que Espanha só é Espanha por causa do Rei e que a Suécia é mais estável que a Itália e Portugal. Mas esquecem-se sempre de referir a Bélgica que tem sido incapaz de aguentar um governo, e de falar da estabilidade dos Estados Unidos, da Alemanha e da Suiça.

E se em vez da casa de Bragança fosse a casa dos Cavacos, ou dos Gomes...? Já era diferente?

O argumento da representação do país:
Mas em Espanha o Rei representa mais o País que o Presidente da República? Nem toda a gente se revê no Cavaco, no Eanes, ou no Sampaio, mas a crescente simpatia pela República em Espanha indicia que também lá nem toda a gente se revê no Rei Juan Carlos. E daí? O que é isso de uma figura que una o País? O Ronaldo? Durante esta crise, o Cavaco uniu tanto Portugal como o Juan Carlos em Espanha, há quem goste, há quem não goste, mas isso faz parte da vida democrática.

Aliás, Juan Carlos há anos que deixou de ser uma figura consensual em Espanha (vê mais aqui). Facto que não lhe retira importância histórica. 

O Rei Juan Carlos foi de facto uma figura marcante para a democracia em Espanha, provavelmente a figura mais marcante do Séc. XX.

Todos estes argumentos valem o que valem... E se pensarmos bem servem para pouco mais que animar a discussão, porque no final do dia o que os povos precisam é de bons governos, sejam eles liderados por Reis, Presidentes, ou Ministros, independentemente da forma como são escolhidos.

E é este o cerne da questão, a forma como são eleitos, não a forma como vão governar, porque isso depende das condições da economia, da personalidade, da equipa, da capacidade de cada um e de milhares de outras variáveis que não controlamos. 

Um mau governante não melhora pelo facto de ser rei, se não o rei dos frangos seria provavelmente o franchising de maior sucesso em portugal. 

Por isso, a escolha do sistema político resume-se à escolha do sistema mais justo e que permita a melhor governação. 

E como não é a monarquia ou a república que fazem um bom governo, ficamos com a discussão sobre qual o sistema mais justo e democrático.

E é aqui que a monarquia cai por terra... Não é justo e não é democrático alguém ter direito a um poder do Estado apenas por ter nascido numa família específica. 

É que a meu ver, na perspetiva da Lei e do Estado, todos os homens e mulheres devem ser tidos como iguais.

No caso português ainda acresce uma condicionante, a confusão que reina entre os pretendentes à coroa, o que levaria alguém a ter de fazer uma escolha difícil....


Em qual dos reis votaria?