quinta-feira, 28 de agosto de 2014

#CML #Antoniocosta O Jardim do Império e o revisionismo histórico


Tem sido um verão quente no PS, com sucessivas trocas de acusações, manobras partidárias e inscrições em massa de simpatizantes. Tudo isto aumenta a incerteza do resultado, o nervosismo e o impacto dos erros cometidos pelos candidatos, agora que só faltam 30 dias para as eleições.

Por tudo isto acho inacreditável que António Costa, através do seu vereador, venha abrir uma polémica preconceituosa sobre a não renovação de símbolos da História de Portugal no Jardim do Império em Belém.

Também é verdade que o PS é o partido da descolonização, o partido que admitia disparar sobre os portugueses brancos que se opusessem à mesma.

Mas o  PS é sobretudo um partido de Governo, um partido que decidiu ou participou em muitas decisões fundamentais, tanto aquelas que tiveram um impacto positivo, como aquelas que levaram o país 3 vezes para a ajuda externa.
O professor José Adelino Maltez explica nas suas aulas de Ciência Política que "a História não se repete, mas rima muitas vezes".
A polémica do Jardim do Império é mais um episódio revisionista, em tudo semelhante à negação insistente de António Costa das responsabilidades que o Governo de José Sócrates teve na crise em que o país ainda vive. É um revisionismo não ideológico, é como se admitir o que se passou seria transferir para si próprio essas responsabilidades, pelo facto de ter sido Ministro de Sócrates, e número 2 do Partido Socialista nesse período.

Assim, este problema é na realidade um reflexo do drama filosófico em que vive o Partido Socialista desde 2011, e que deflagrou neste conflito.Muito da substância deste drama no PS está relacionado com a escolha entre a catarse tardia e a continuidade da negação, entre o lavar da cara e o disfarçar com perfume.
E o país da reconquista, dos descobrimentos, do império, das colónias, da democracia, o país que tem passado, que sofre no presente, e suspira por um futuro melhor, assiste a esta escolha.  

O jardim do império não tem nenhuma importância política, e provavelmente muitos portugueses não tinham noção do que representam aqueles brasões, mas tem uma importância simbólica, representa não o que somos, mas o que fomos durante séculos. 
Fomos um Império, descobrimos boa parte do mundo, conquistámos e vivemos da riqueza que explorámos nesses territórios. 
E o resto do mundo não fez mais do que isso mesmo, como e quando lhe foi possível. 
O que fizeram algumas dinastias chinesas no seu tempo? E os Califados Omíada e Abássida? O que fez o Império Otomano para chegar ás portas de Viena? Ou os Mongóis no Médio Oriente?
Alguém escreveu que “Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”.

Caro António Costa, Portugal é o país de todos os brasões, de todas as vitórias e derrotas, de toda a riqueza e de toda a miséria. É só um, este em que vivemos.
Se não gosta dele, não procure governá-lo.