sexta-feira, 5 de setembro de 2014

#BES Crónica de um verbo de encher


"Os administradores não executivos são verdadeiros verbos de encher."

Quando li hoje a entrevista de Nuno Godinho de Matos, fiquei genuinamente revoltado e triste.

O que me 
entristece é a facilidade com que o sistema autocrático de poder em Portugal premeia a obediência cega e a bajulação dos seus lacaios. O BES não é diferente de outros círculos de poder, é um produto refinado de uma sociedade chico-espertista e trituradora do espírito crítico. 
Nuno Godinho de Matos não é mais do que um produto de um país onde se cresce procurando o próximo poder a quem servir.

O que me revolta é que durante anos este senhor viveu de consciência tranquila à sombra do poder, carregou malas e validou todo o tipo de patifarias.
E agora vem dar entrevistas...
Estou-me nas tintas para as revelações escandalosas do Nuno Godinho de Matos, que participou durante anos nesta grande festa do BES, como se percebe pela entrevista.
Pior, a impressão com que fico é que estas "revelações" servem apenas para chamar a atenção para a entrevista, quando a verdadeira mensagem é um ataque em toda a linha ao Banco de Portugal.
O maior escândalo desta entrevista é a lata do próprio entrevistado, que só faltava falar na terceira pessoa, como se não tivesse nada a haver com o assunto.
Será pedir muito a este senhor e restante quadrilha que poupem os portugueses a mais esquemas e conspirações? Não enriqueceram já o suficiente?


Tudo isto só acontece em Portugal porque o pilar mais importante de uma sociedade livre, a Justiça, é precisamente aquele que parece estar mais infiltrado, mais subvertido pelo poder.