quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Incompreensível

O Estado Islâmico fatura mais de dois milhões de euros por dia (Lê mais aqui), fruto de extorsão, da venda de petróleo e de resgates... Por outro lado a Al-Quaeda, estima-se, ter precisado de dois milhões de Euros para atacar o World Trade Center... 

Só fazendo esta conta podemos compreender como é que o Estado Islâmico acredita conseguir conquistar Portugal e Espanha em 5 anos (Lê mais aqui)


Esta luta até podia estar mascarada por uma questão de defesa da liberdade, ou por uma questão de autodeterminação de um povo, com uma cultura, uma língua, ou tradições diferentes. 

Mas não, trata-se mesmo de uma cruzada religiosa, da instauração de um Estado Islâmico que agregue o ramo islâmico sunita presente no Iraque e na Síria e que limpe os infiéis dos territórios marcados a negro.  

Por exemplo, os Curdos (lê mais aqui) que são efetivamente um povo, apesar de sunita não apoiam as pretensões do Estado Islâmico.


Mas a hipocrisia piora quando se ouve da boca do assassino de James Foley e de Steve Sotloff que os Estados Unidos são os opressores, quando tudo o que se sabe deste movimento terrorista são os seus atos de opressão, como o que estão a fazer aos cristãos no Iraque (Lê mais aqui, atenção que são imagens chocantes), ou aos seus presos de guerra (lê mais aqui).

Este tipo de discurso da pureza religiosa não é original, por cá também já se ouviu isso... Em 1517...
"Ó cavaleiros de Deos; A vós estou esperando,Que morrestes pelejando; Por Cristo, Sennor dos Ceos.; Sois livres de todo o mal; Santos por certo sem falha, Que quem morre em tal batalha; Merece paz eternal" Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente,
Apesar do desfasamento temporal de 500 anos que poderia indiciar um fenómeno gerado pela miséria, pela falta de educação, não explica as centenas de europeus, educados na Europa, que cometem as maiores atrocidades em nome deste Estado Islâmico (o principal suspeito do assassinato dos dois jornalistas é britânico - lê mais aqui). 
Entre os quais também há cidadãos portugueses (Lê mais aqui)

Também não explica os posts em alguns blogues portugueses que estão mais preocupados em criticar Israel e os Estados Unidos do que em distanciarem-se deste Estado Islâmico. Preferem tentar demonstrar que a culpa é do papão israelita do que assumir que o Estado Islâmico tem de ser travado.

Às vezes até parece que não acham tão interessante a política expansionista e opressiva do Estado Islâmico. Estão tão concentrados na guerra contra os Estados Unidos e Israel que já não acham assim tão estranho que haja quem preveja conquistar o seu país e impor a Sharia, acabando com a liberdade que lhes permite escrever o que querem.

Não pretendo defender a estratégia Norte Americana no Médio Oriente, mas se há coisa que o Estado Islâmico consegue com esta atitude é legitimar essa mesma política que tanto criticam.

Não há religião ou ideologia que se sobreponha ao direito à vida e à liberdade. E a única coisa que os militantes do Estado Islâmico conseguem demonstrar é que não têm qualquer respeito pela vida humana.