segunda-feira, 6 de abril de 2015

Passou-se algo na Madeira?

Ainda a propósito das eleições na Madeira. O povo madeirense manteve-se fiel à direita e ao partido que os governa de há várias décadas a esta parte. O PSD teve uma evidente maioria absoluta, apesar da transição do Jardinismo para o Alburquerquerismo. Mas as eleições na Madeira marcam também o mandato do atual Secretário-Geral do Partido Socialista, já que se trata da primeira derrota do PS no pós-segurismo. E coligado com partidos impensáveis ainda que nos coloquemos no papel de um mero exercício de raciocínio. Com Seguro à frente do secretariado-geral, o PS, ainda que não reconhecido por muitos, alcançou apenas vitórias. O que mudou então desde seguro? Basicamente, o que mudou, foi o corte com o ciclo de vitórias, uma vez que em termos de sondagens tudo anda mais ou menos por igual. Talvez para insatisfação de muitos socialistas que sentenciavam António Costa como um grande líder. Como se costuma dizer, a montanha, até ver, pariu um rato. E António Costa no exato momento em que o seu PS corta com um ciclo que vinha sendo de vitórias, o que tem para dizer é que as eleições regionais nada têm que ver com as eleições nacionais. Mais, no momento de uma derrota como foi a sofrida na madeira, abdica da CM de Lisboa para se dedicar a tempo inteiro ao PS e à sua candidatura a Primeiro-Ministro, virando os holofotes de uma imprensa manietada, para esse facto de primeiras páginas de jornal, relegando ou pretendendo fazer esquecer a derrota eleitoral sofrida. Na realidade, a saída de Presidente da CM de Lisboa, já vem tarde. Deveria tê-lo feito quando aceitou candidatar-se e foi eleito Secretário-Geral do Partido Socialista. E mesmo agora, até à presente data, o que se espera do PS de António Costa, ainda não sabemos, pois desconhece-se com que projeto político e com que políticas o PS se quer apresentar perante o povo português. É que de soundbites generalistas, vagos e indeterminados, está o povo cheio. O que o povo quer é saber as linhas com que se coze. É importante falar claro e verdade aos portugueses. Que políticas estratégicas e concretas pretende o PS de António Costa implementar numa eventual condução dos destinos do país? O que vai fazer para diminuir o desemprego, aumentar o crescimento, diminuir a despesa e dívida pública? Quererá renegociar a dívida pública? O que irá fazer para o país economicamente ganhar competitividade? Um número infindável de questões que todos os portugueses estão desejosos de conhecer. É que ficar mudo e calado à espera que o poder se alcance de maduro, é no mínimo uma falta de consideração, por quem, como sabemos, nos conduziu em governos anteriores ao estado da arte com que nos confrontamos em 2011.

Fonte: Jornal Expresso