quinta-feira, 3 de setembro de 2015

"Je suis réfugié. Je suis la victime de la négligence et de l'hypocrisie"...

 
Onde estão os "je suis charlie" que andaram em Janeiro deste ano a passear de mão dada pelas ruas de Paris? A Europa tem de deixar de assumir o papel de cúmplice do estado islâmico (EI), continuando nas praias do Mediterrânio, por inépcia e dormência hipócrita, o genocídio que aqueles iniciaram na Síria e no Iraque.

 
 
 


Não posso, agora, deixar de me lembrar dos esforços ocidentais (norte-americanos, ingleses e franceses) na desestabilização política do Norte de Africa e do Médio Oriente até há bem pouco tempo. Eis, pois, uma das facetas da primavera árabe. "Parabéns"! E tudo em prol, supostamente, dos valores democráticos. O combate cego ao regime sírio merece, aliás, especial sublinhado. Sem tecer considerações sobre o espírito democrático de Bashar Hafez al-Assad, como é possível que se continue, ainda, a combater a única força capaz de, no terreno, fazer recuar o EI? Como se justifica que se tolere o combate da Turquia aos curdos, abrindo as portas do norte do Iraque ao terrorismo jihadista?
 
Não obstante as asneiras e os erros geoestratégicos decorrentes da arrogância cultural do Ocidente, é de reconhecer aos EUA o mérito de ser, neste momento, a única força ocidental verdadeiramente empenhada em destruir os facínoras que perseguem aqueles que veem morrer nas praias do sul da Europa.
 
A UE têm a obrigação moral de dar ao Mundo um exemplo de humanidade, de tolerância e de fraternidade para com os fracos e oprimidos. São esses os valores que estão na base da construção europeia. E para isso é fundamental que se criem as condições necessárias a acolher os milhares de homens, mulheres e crianças que se arriscam a procurar, no velho continente, a paz, a segurança e o bem-estar que não encontraram nos seus países de origem. Em simultâneo, é fundamental que declare, sem hesitações, guerra ao terrorismo. A Europa tem de se empenhar militarmente na destruição do EI construindo, assim, a estabilidade necessária à resolução do êxodo atual.
 

"Je suis réfugié. Je suis la victime de la négligence et de l'hypocrisie"...