terça-feira, 6 de outubro de 2015

Rescaldo Eleitoral


Muito se debate sobre eventuais cenários de configuração do Parlamento com capacidade e legitimidade para formar Governo. A grande verdade é que a coligação teve um resultado muito bom face às expectativas de muitos, inclusive no seio da própria coligação. Nem todos foram crentes e acreditaram numa vitória. Muitos pensaram num Passos cansado, desgastado, dado que tinha Governado três anos com a casa a arder e apenas um com a casa a dar sinais de recuperação e vitalidade económica. Já as eleições vinham longe, e a popularidade de Passos andava abaixo da linha de água decorrente do desgaste a que teve de se submeter em nome do interesse nacional. Visto de fora, em particular por uma certa comunicação social manietada, tudo indicava que não havia uma leve hipótese de a coisa lhe correr bem. Mas a realidade aí está, aos olhos de todos, demonstrando a resiliência de um homem e de um povo aos sacrifícios pelos quais o país teve de passar. Tive oportunidade de observar de perto a determinação do homem e cidadão, o que viria a revelar-se insubstituível no político que teve em mãos a condução dos destinos do país. Sejamos claros: A Coligação Portugal à Frente ganhou as eleições com uma maioria que apesar de não ser absoluta, destacou-se consideravelmente do seu principal opositor, com quem terá de fazer as pontes necessárias numa cultura de compromisso, de procura responsável de soluções e de estabilidade Governativa. É à coligação que cabe formar Governo. Não uma qualquer maioria negativa, que em tempo algum se assumiu sequer como alternativa. E neste particular, o Partido Socialista, dadas as circunstâncias, tem unicamente duas opções: ou se afirma como partido do arco da governação, agindo responsavelmente na viabilidade de um Governo de direita e das suas políticas legitimadas nas urnas, ou, pelo contrário, submete-se à liderança da esquerda radical e dilui-se como partido de protesto. Desde 1976, que os partidos que formaram o arco da governação aceitam o direito dos vencedores em eleições a governar: foi assim em 1976, 1985, 1995, 1999, e 2009, quando não houve maiorias absolutas, em que Mário Soares, Cavaco Silva, António Guterres e José Sócrates puderam formar governo e viram os seus primeiros orçamentos passar no parlamento. O PSD, o CDS e o PS nunca deixaram, entre si, de dar uma oportunidade a quem venceu nas urnas. Tem sido assim o manifesto do arco da governação.