sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Responsabilidade exige-se e confiança conquista-se

Passada que está, ao que aparenta, a instabilidade política vivida nos últimos meses, é agora o tempo de o novo Governo Governar. Qual será o resultado dessa Governação, por mais curta ou duradoira que seja a sua ação, não sabemos. O problema da política é que as coisas não são assim tão simples, como temos vindo a assistir nas últimas semanas. Embora haja um ciclo que se encerra e outro que se inicia, há um conjunto de fatores que irão ditar o futuro do nosso país. Note-se que no discurso do Presidente da República, breve e rijo, perante a posse do XXI Governo Constitucional, está bem patente que: (i) o executivo nasceu de uma crise política e só está em funções porque não pode haver eleições antecipadas; (ii) o seu programa assenta em acordos frágeis e de pouca amplitude de compromissos; (iii) os objetivos estratégicos nacionais mantêm-se intactos e não admitem desvios; (iv) o Presidente da República não abdica de nenhum dos seus poderes, nos quais se incluem o de veto, o de fiscalização preventiva, e o salientado pela comunicação social, de demissão do governo. Por outro lado, O país apresenta-se ao novo Executivo, com um conjunto variado de indicadores positivos, os quais não são, nem podem, do ponto de vista da honestidade intelectual, serem questionáveis ou dispensáveis. Esses indicadores transmitem a confiança e assumem o papel de sustentabilidade do trabalho que deve continuar a ser executado. O país vive momentos de séria tendência de afirmação internacional. Está numa espécie de linha de fronteira. Depende para que lado vai. Assim, percorrido um período de ajustamento económico com a inevitável austeridade imposta, é chegado o tempo do crescimento. Mas esse crescimento económico não se pode fazer com a delapidação do esforço e sacrifício dos portugueses nos últimos anos e com tábua rasa face aos nossos compromissos internacionais, sob pena da repristinação de outros tempos que nos trazem má memória. Embora politicamente o centro esteja desfeito em dois semicírculos afastados, compete aos agentes políticos a sua reaproximação em prol daquilo que são os mais elevados interesses nacionais. Há que dar continuidade ao cumprimento dos objetivos orçamentais, nisso incluindo a preocupação com os défices excessivos, défice estrutural, dívida pública e credibilidade externa. A aposta no crescimento com base no consumo interno, havendo um claro e conhecido desequilíbrio externo, é uma aposta de risco. Esperemos que para bem do país produza os resultados projetados.