segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

França...Jornalismo Livre e assumido



A propósito da vitória da Frente Nacional de Marine le Pen, nas eleições Regionais Francesas, e na qualidade de observador que não vive com a emoção do eleitor francês estas eleições, salta-me à vista algo que considero estruturante numa democracia que é bem visível na Democracia Francesa.

Trata-se da existência de uma comunicação social realmente livre e principalmente da imprensa escrita que se assume declaradamente de Esquerda, Direita, Extrema-esquerda, Direita Conservadora, moderada, etc.

Na análise feita à vitória de Marine le Pen temos os Jornais Comunistas e de Esquerda urbana como o “L'humanité”, ou o “Libération” a assumirem o choque e a declararem oposição feroz ao perigo que a Extrema-direita representa. 

O “Libération” chega ao ponto de assumir frontalmente, no seu editorial, que a Frente Nacional de Marine le Pen é o “inimigo” de França apelando à esquerda que mais vale votar na Direita do que na Extrema direita...é o mal menor, refere o dito jornal.

Por outro lado no espectro político oposto, o da Direita, temos o “Le Figaro” de Direita Conservadora e o “Le Parisien” com uma linha editorial mais ao Centro, que assumem posições distintas mas igualmente livres e claras. 

No caso do “Le Figaro” assume o choque que é a vitória de Marine le Pen e justifica essa vitória com a onda de cólera existente e habilmente promovida pela Frente Nacional.

Já o “Le Parisien”, mais moderado e popular assume que a vitória deve ser avaliada como uma vontade maioritária do povo e que deve ser analisada como tal e não com recurso aos extremismos, sejam de que forma forem.

Todos estes órgãos de comunicação exprimem livremente a sua opinião e não de forma dissimulada ou até com recurso à notícia de encomenda como noutros países vemos. Estes Jornais e estes Jornalistas declaram as suas opiniões e fazem-no sem “medo” de assumirem as suas posições políticas que são coerentes com as suas linhas editoriais.

Ora é de bons exemplo que se devem alimentar as Democracias mais jovens como a de Portugal, e a liberdade de imprensa deve caminhar a par com a imprensa identificada e clara nos propósitos e objetivos.

Não basta dizer que defendemos os princípios que a Revolução Francesa trouxe à Europa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), mas só praticarmos os que nos são convenientes

Deixo-vos aqui esta reflexão... 

E se cada órgão de comunicação social devesse, por definição de estatuto editorial, classificar a sua publicação e enquadrá-la no espectro político Português? Será que alguém perdia com isso?


Quem perdia não sei (ou talvez desconfie), mas ganhava o povo Português e os leitores em particular.

"Vive la France"...

RG
porque pedir desculpa é pior que não ter razão...