segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Think inside the box - "Doggy Bags"








Doggy Bags


A partir do dia 01 de janeiro de 2016 os restaurantes franceses passaram a ser obrigados a oferecer uma caixa para guardar os restos de comida que sobrem das refeições dos clientes se assim for pedido. O objetivo é cortar o desperdício alimentar.

No entanto, a nova lei engloba apenas os restaurantes que sirvam mais do que 180 refeições por dia. Com estas caixas, que são conhecidas como “doggy bags” (sacos de cão), o Governo francês quer reduzir em sete milhões de toneladas de desperdício todos os anos – o comércio de catering é, em França, responsável por 14% do desperdício, diz o Telegraph.

No entanto a população nunca foi apologista de pedir a tal “doggy bag” para levar as sobras da refeição para casa. Há por isso muitos que defendem que os franceses não têm este hábito o que vai dificultar a eficácia da medida. Uma dessas opinião é o escritor gastronómico Franck Pinay-Rabaroust que, ao mesmo jornal britânico, disse que não tem dúvidas de que “isto não vai pegar em França”. Diz o Observador

Então concluímos que basicamente:



  • Os Chefs franceses desaprovam os "Doggy Bags" por considerarem um americanismo vulgar e pelo próprio nome dos sacos em si.
  •  O objetivo é reduzir o 7 milhões de toneladas de alimentos anualmente desperdiçados.
  •  Recentes pesquisas mostraram 70 por cento dos franceses nunca levaram o que sobrou da refeição para casa.


Mas será que, modas e tendências à parte, alguém parou para pensar melhor ...



7 MILHÕES de TONELADAS de ALIMENTOS 


A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que mantém sob vigilância tudo o que é cultivado e consumido como alimento em todo o mundo, calcula que, todos os anos, um terço dos géneros alimentares produzidos para consumo humano no planeta perde-se ou é desperdiçado ao longo da cadeia que vai das quintas às unidades transformadoras, aos mercados, aos pontos de venda, aos restaurantes e às nossas cozinhas. Representando 1.300 milhões de toneladas, esse total seria suficiente para alimentar três mil milhões de pessoas.

Em Portugal, a situação não é muito diferente. O Projecto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar (CES/UNL) apurou que 17% da comida produzida no país é desperdiçada antes de chegar à mesa do consumidor. Do milhão de toneladas anuais de comida desperdiçada em Portugal, o projecto apurou que 324 mil perdem--se em casa dos consumidores.
Na verdade, os consumidores são cúmplices: compram produtos a mais porque há alimentos atraentemente embalados e baratos ao virar de quase todas as esquinas. Guardam os alimentos de maneira desadequada: interpretam à letra as datas de validade, embora as etiquetas tenham sido concebidas para indicar a data de máxima frescura e não a segurança alimentar. Esquecem-se de comer os restos da refeição, esquecem-se dos sacos com restos nos restaurantes e são pouco penalizados (ou não o são de todo) por deitar para o caixote do lixo alimentos comestíveis.
A regra de que os alimentos que produzimos devem ser ingeridos parece uma equação
simples e um requisito prévio para um sistema de alimentação sustentável. No entanto, a lógica económica não gosta das soluções simples. É evidente que, quanto mais iogurtes os consumidores deitarem fora depois de lerem a data de validade, maiores serão as vendas dos retalhistas de iogurtes. Para os supermercados, talvez faça mais sentido deitar para o lixo os excedentes de maçãs do que baixar o seu preço, o que faria diminuir as vendas das maçãs a preço não reduzido. Apavorados com a possibilidade de não terem quantidade suficiente para abastecer os supermercados, os grandes operadores da agricultura comercial costumam plantar 10% de excedentes. Os agricultores também deixam talhões inteiros de fruta ou legumes nos pomares e nos campos por receio de inundarem o mercado e fazerem baixar os preços. Por vezes, o custo da mão-de-obra para fazer uma colheita supera o valor da sua venda.



O primeiro passo para reduzir o desperdício alimentar e a perda de géneros alimentares consiste em levar as pessoas a compreender a existência do problema. A negação reina sem contestação. Mas as atitudes mudam lentamente, à medida que o preço dos géneros alimentares vai aumentando e à medida que tomamos consciência, por um lado, das inúmeras maneiras como as alterações climáticas diminuirão a produção de alimentos e, por outro, do imperativo de extrairmos, de forma sustentável, um volume cada vez maior de calorias do solo já cultivado.



Por cá na Universidade de Coimbra ...

A ideia…

Foram colocadas balanças nas zonas de receção dos tabuleiros, para consideração de todos os resíduos alimentares mantidos no prato após o final da refeição. O resultado aproximado foi de 8 toneladas de resíduos alimentares por mês! Em Portugal, estima-se que esse desperdício ronde 17% da produção anual de alimentos, equivalendo a cerca de 1 milhão de toneladas.
Face a estes números e considerando as cerca de um milhão de refeições servidas por ano, a adaptação da quantidade de comida servida em cada prato às necessidades de cada caso específico, pode resultar num impacto significativo: “Menos é igual a mais”.
Assim, sensibilizou-se a comunidade universitária e foi lançado o desafio ao conjunto dos membros do Universo UC para partilharem sugestões de boas práticas a adotar neste contexto.

Durante todo o processo, assistimos a uma intensa fase de preparação e reflexão que envolveu toda equipa da Divisão de Alimentação dos SASUC.

O que já foi feito…
Novos comportamentos

A Divisão de Alimentação está a adotar novos comportamentos na confeção das ementas, designadamente:
► Confeção de batatas com casca;
► Aproveitamento da casca da maçã na salada de fruta;
► Aproveitamento dos talos da couve e alface na confeção da sopa;
► Introdução de uma nova sobremesa – Pudim Molotov – para o aproveitamento das claras de ovo;
► Aproveitamento de pão em torradas, pão ralado e croutons para sopas e saladas.
A Divisão de Alimentação tem ainda o desafio mensal de apresentar um novo produto que decorra de aproveitamento de alimentos, dando conta à comunidade universitária, de maneira a que a evolução da campanha de combate ao desperdício alimentar seja percetível em todo o universo UC.

Sensibilização da comunidade universitária
Na perspetiva dos utilizadores das cantinas da Universidade de Coimbra, o lema escolhido para a referida campanha foi “Menos é igual a Mais”, pela afinidade ao objetivo da redução do desperdício alimentar, que foi auxiliado em termos comunicacionais em duas ideias, expressas nos suportes comunicativos: o que não se come é lixo e desejabilidade da adequação do pedido de preparação do prato de forma adaptada às necessidades reais de consumo individual.
Sensibilização Dos/as Trabalhadores da Divisão de Alimentação
Do ponto de vista dos trabalhadores do setor alimentar, foi desenvolvido um cartaz através do qual se pretende sensibilizar os trabalhadores do setor alimentar para práticas profissionais conducentes à redução do desperdício. Nesse contexto, foi também utilizada a Lei de Lavoisier: “Na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma”.

Preparados para começar a pensar "inside the box" ???