segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

É porreiro pá.

Todas as presidenciais é a mesma coisa, durante a campanha alguém se lembra e decide criticar as candidaturas que não apresentam uma visão para a Educação, Emprego, etc... 

" - Sr. candidato qual é a sua visão sobre o Sistema Nacional de Saúde?
- É Porreiro pá." 

Mas o pior é que todas as candidaturas acabam por ir na conversa, ou pelo menos acabam por fazer o esforço de balbuciar uma ou duas ideias que não as comprometam.

O mais impressionante é esta história se repetir desde 74. De 5 em 5 anos esquecem-se que um Presidente da República em Portugal não tem qualquer responsabilidade governativa. 

Quando votamos nas presidenciais estamos a escolher o garante da independência nacional e do regular funcionamento das instituições. Ou seja, o gajo que manda nas Forças Armadas e que é chamado de vez em quando para resolver uns berbicacho.

Em que é que as ideias do Soares sobre Educação, ou Justiça, interferiram na decisão de dissolver o Parlamento em 87? Ou as de Sampaio quando dissolveu o Parlamento em 2005? Ou mesmo as de Cavaco quando deu posse a quem perdeu as legislativas em 2015?

Todos, excepto o Sampaio, tomaram decisões que foram contra os interesses dos seus partidos, e todos tomaram decisões assentes no que entendiam ser o interesse nacional e o zelo pela estabilidade institucional. (acho eu....) Mas nenhum tomou esta decisão a pensar no programa de governo.

Se tem lógica? não

Se a República é o sistema mais justo (já escrevi sobre isto aqui), este sistema híbrido, criado no século passado à luz dos medos gerados pela ditadura, é agora pouco mais que um foco de instabilidade e um desperdício de recursos e  paciência.

Um exemplo do sistema pouco claro que temos é quando votamos nas legislativas. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estamos a votar em listas de deputados e não no primeiro ministro. Qual é problema? Para além do problema ético de estarmos todos a ir votar enganados, há também o problema de podermos acabar com um governo de derrotados (como aconteceu o ano passado). Para além de nas presidenciais estarmos a votar em alguém que ninguém sabe muito bem para o que vai servir. 



Não tenho grande esperança nisto, mas talvez um dia alguém ganhe coragem e decida alterar a constituição e reverter o nosso sistema para Presidencialista, sistema onde se elege o Presidente da República enquanto chefe de governo e chefe de Estado e deixa para o Parlamento as competências menores que o PR atualmente desempenha. 

Por enquanto, convém manter na memória que nestas presidenciais ainda estamos apenas a eleger aquele que nos vai representar institucionalmente, aquele que vai ter de gerir consensos à esquerda e à direita e aquele que vai mandar nas Forças Armadas.