sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Je ne suis pas Charlie! Não, não sou Charlie!

Charlie Hebdo, é novamente notícia por maus motivos. Hoje, não por uma qualquer purga jihadista, mas por publicar uma sátira sobre Aylan Kurdi, o menino sírio de três anos tragicamente afogado em Setembro de 2015 numa praia da Turquia.
 
Diz Laurent Sourisseau "RISS",  caricaturista do referido pasquim, que aproveitou os abusos sexuais praticados por refugiados muçulmanos, na Alemanha, para brincar com o assunto, imaginando o futuro da criança, caso tivesse sobrevivido.
 
"O que teria sido o pequeno Aylan se tivesse crescido? Abusador de mulheres na Alemanha", assinala a infeliz caricatura, onde se pode ver a figura de Aylan, juntamente com a dois jovens a perseguirem várias mulheres.

A associação de ideias é inédita. Atrevo-me mesmo a dizer que não é qualquer néscio, por mais ordinário e insensível que seja que consegue associar a morte de uma criança a um "Taharrush."(1)

É inevitável concluir que a jocosidade macabra desta publicação tem uma lógica e um sentido de oportunidade só ao alcance de uma mente doente que, desta forma, demonstra ao Mundo a amplitude do seu desequilíbrio e, consequentemente, dá eco ao vazio de valores que, infelizmente, grassa numa parte significativa da comunicação social do chamando "mundo civilizado".
 
 

 
 
 
(1) Nota: O "Taharrush" é uma prática comum em alguns países muçulmanos ou com forte presença muçulmana e que consiste num arrastão de estupradores em que uma mulher indefesa é arrastada por uma multidão de homens com o objetivo de ser agredida e violada.
 
São conhecidos vários casos ocorridos nos últimos anos na India, Paquistão e no norte de Africa. Em 11 de fevereiro de 2011, a repórter da CBS Lara Logan foi atacada por um bando de homens no Cairo, capital do Egito, durante a cobertura da queda do governo de Hosni Mubarak. Em 30 de junho de 2013, durante uma manifestação também no Cairo, uma jornalista holandesa foi filmada sendo arrastada por uma multidão de homens e depois sexualmente atacada. 

Mais recentemente ocorreram fenómenos semelhantes em 2014 e 2015 em Estocolmo, durante um festival de musica "We Are Sthlm" e mais recentemente durante as festividades da passagem de ano em Colónia, Estugarda e Hamburgo, na Alemanha.