quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Jorge Jesus vs Rui Vitória - O caçador, o coelho e Madame de Stael...

Penso que muitos foram aqueles que, ontem, ficaram surpreendidos com a reação intempestiva de Jorge Jesus, a propósito das declarações de Rui Vitória, que o tinha qualificado como "mau colega".
 
Atirou o técnico do Sporting: "Sou mau colega? Treinador? Como não o qualifico como treinador, logo não sou mau colega. Para ser treinador ele tem de ser muito mais. Fi-lo sair da toca. Ele tem de se assumir. Para treinar o Benfica tem de se assumir. Para conduzir um Ferrari tem de ter andamento para ele."

Até parece que Jorge Jesus se esqueceu da derrota do Benfica, às mãos do V. Guimarães treinado por Rui Vitória, na final da Taça de Portugal, em 26 de Maio de 2013. Enfim, agora os tempos são outros e o passado já lá vai...
 
Jesus não só desqualificou descortesmente Vitória, como o colocou ao nível de um comum coelho, acossado na sua "toca" pelo ruído envolvente. Mas o pior é que essa imagem é capaz de pegar, pelo menos, para todos aqueles que se lembram dos últimos 3 embates entre o SCP e o SLB e que resultaram em 3 vitórias inequívocas para o clube de Alvalade.
 
O significado que encontramos, no dicionário de língua portuguesa, para a palavra "martelada" é "pancada com martelo" e o certo é que já lá vão três, em três jogos, dadas por Jesus no Vitória, com a seguinte sequência: 9 de agosto de 2015 - SL Benfica 0-1 Sporting CP (Supertaça), em 21 de novembro de 2015 - Sporting CP 2-1 SL Benfica (Taça de Portugal) e  em 25 de outubro SL Benfica 0-3 Sporting CP (Campeonato - Liga NOS)...

A realidade é que, colocando de parte a cortesia, conceito desconhecido dos atuais responsáveis do Sporting, Rui Vitória está obrigado a imprimir uma dinâmica vencedora ao Benfica, sobretudo nos  embates com os seus mais diretos rivais na conquista do título.

E nesta missão há que dar especial atenção ao Sporting a quem o Benfica está obrigado a ganhar no próximo encontro. É o peso da história que o impõe. Isto, sob pena de Rui Vitoria em vez da "martelada" apanhar com verdadeiro "chumbo grosso", passando da toca para a penela. 

Seja como for a descortesia anteriormente citada faz lembrar as palavras de Madame de Stael: "Os arrogantes são como os balões: basta uma picadela de sátira ou de dor para dar cabo deles."
 
Aguardemos pela picadela...