domingo, 17 de janeiro de 2016

Nóvoa, o Humanista ???


Vários jornais publicaram na semana passada que “um homem de olhos azuis”, morador em Oeiras, teria tentado por duas vezes embargar a obra de um centro de acolhimento para adultos com paralisia cerebral.
Tal embargo até poderia ser por uma causa nobre...
Mas a causa “nobre” que, fazia correr o homem de olhos azuis, era que o centro para adultos com paralisia cerebral lhe tirava a bela paisagem e ia alterar “o equilíbrio” da zona, o que causava “grandes prejuízos em termos de vista, espaço de jardim, passeios e lazer”.
Motivos de “nobreza” suficientes para o homem de olhos azuis querer impedir que uma associação humanitária, que luta para dar uma vida melhor a adultos com paralisia cerebral, não o pudesse fazer.
Entre dar um lar condigno a deficientes profundos e ter melhores vistas de sua casa e mais espaço para lazer, o homem de olhos azuis não teve qualquer dúvida e optou, com uma enorme generosidade, pelas suas vistas e pelo seu amplo espaço de lazer. Homem grande (com h pequeno) tem destas coisas...



Apesar de o homem de olhos azuis, mais alguns dos seus vizinhos, se queixarem da sua perda de qualidade de vida (e provavelmente pensando que um centro para adultos com paralisia cerebral ia estragar a vizinhança), a APCL não se deixou intimidar.
O homem de olhos azuis perdeu todas as ações, nos tribunais de Oeiras e Sintra, perdeu na apreciação de um provedor de Justiça e também no pedido de indemnização que a Associação lhe exigiu.



Sim, o homem de olhos azuis, foi condenado a pagar uma indemnização ao Centro de acolhimento (nunca, até hoje, paga) e apesar de condenado, continuou a protestar por carta para o município de Oeiras.
À falta de melhor, e porque a indemnização tinha de ser paga, lá teve o Município de Oeiras que avançar, a expensas suas, com a dita verba, até que o homem de olhos azuis se resolvesse pagar, ou que um juiz o tivesse obrigado a cumprir o que o tribunal tinha sentenciado.
Qualquer outro cidadão teria pago com o seu património, mas este homem, não! Era uma pessoa “importante” (Reitor de uma Universidade, ex-militante de uma organização terrorista, amigo de Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares, até ia fazer discursos a congressos do partido socialista onde era aplaudido de pé!). Como tal não pagou um cêntimo. Mas pagamos nós todos por ele (quer dizer, os cidadãos de Oeiras pagaram a fatia maior...) e provavelmente ainda ouviram qualquer coisa à Mário Soares, do género “Ó senhor com paralisia cerebral faça o favor de desaparecer e diga ao seu colega com paralisia cerebral para desaparecer também!”
Hoje, a APCL, é uma instituição reconhecida, que trabalha em prol dos mais frágeis, um orgulho para todos os Portugueses (pelo menos para alguns).



O tal homem dos olhos azuis despertou tarde para a luta política e, pelos vistos, também para a cidadania. Ficava-lhe bem o gesto de admitir que errou (quer dizer, se julga que de facto errou, porque pela falta de declarações sobre este assunto, tudo leva a crer que não sente que tenha errado e, como tal, que se fosse hoje, tomaria exatamente a mesma atitude).
Embora se diga apartidário, é no entanto, o candidato oficial do PCTP/MRPP.
Hoje quer ser Presidente... Nós (os autores do texto), pessoalmente, não queremos um Presidente de (quase) todos os portugueses com um coração tão duro, sentimos que os portugueses que sofrem de paralisia cerebral são tão portugueses como nós. Esta nossa atitude pode até ser “condenável” para alguns (paciência, não se pode agradar a todos), mas nós temos a mania de pensar que os portugueses são todos iguais. Opiniões, dirão alguns... Como tal, não gostaríamos de ver em Belém alguém que dorme descansado sabendo que impede melhores condições para os mais débeis em troca das suas aristocráticas “vistas” e de espaço para o seu lazer “desesperadamente vital”...
Este texto fará eventualmente mais sentido se pensarmos que Nóvoa, afinal, defende o que os partidos que por ele “nutrem simpatia” defendem. Não foram esses mesmos partidos que votaram NÃO (ou nim, outros) à criminalização do abandono de idosos? Tendo uns dias antes aprovado a criminalização do abandono de animais? E se se podiam continuar a abandonar idosos, porque não se poderiam abandonar deficientes? (Desde que sejam de dois membros locomotores, abandone-se tudo. Com quatro é que não!)



Os autores deste texto não são defensores do virtuosismo extremo, nem tão pouco isentos de erros no passado, no presente e certamente no futuro, mas não são candidatos a Presidente de todos os Portugueses.
Mais, os autores deste texto até concordam que Nóvoa (e quem o apoia) pode perfeitamente defender que é mais importante o seu espaço de lazer e as suas vistas do que a dignidade de uns tantos, menos afortunados, que sofrem de paralisia cerebral.
Até aceitam que, para Nóvoa (e quem o apoia), os portugueses não são todos iguais...
Concordamos que ele possa ter essa noção de cidadania, somos democratas e convivemos bem com opiniões diferentes da nossa, mas como dizia Voltaire (ou pelo menos dizem que dizia) “posso não concordar com uma única palavra que você diga, mas defenderei, até à morte, o direito de você a poder dizer”
Como eleitores e portugueses apenas gostávamos de saber se o candidato Sampaio da Nóvoa - o virtuoso, o candidato da “cidadania”... é o mesmo que o cidadão Sampaio da Nóvoa - O apreciador de belas vistas e do seu espaço de lazer, mesmo que em detrimento dos mais frágeis da nossa sociedade. É que, para alguns portugueses, ainda é importante conhecer o caráter de quem nos pede o voto.
Por fim, e porque estamos em tempo de começar a preparar a entrega do nosso IRS, deixamos a imagem inicial do site da APCL, onde esta associação apela ao seu donativo de 0,5 % no IRS. Se puder (e não lhe custa nada) entregue 0,5% do seu IRS para uma organização humanitária. Fica a sugestão de ser para a APCL. Se for de Lisboa, e for essa a sua escolha, o NIF da APCL é o 506 610 624. Se for de outra cidade e pretender dar o seu contributo consulte a página da FAPPC - Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral.

Artigo de Alberto Moura e Joana Barroso Calisto Valério