sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Portugal é a Venezuela da Europa



http://www.jornaldenegocios.pt/economia/conjuntura/detalhe/financial_times_portugal_acusado_de_afastar_investidores_estrangeiros.html

Financial Times compara Portugal à Venezuela, 50 dias bastaram para Portugal perder toda a credibilidade externa alcançada.

O Financial Times, é um jornal britânico de negócios com sede em Londres, considerado, a par do Wall Street Journal, o mais influente canal de informação económica, lido pela grande maioria dos líderes empresariais.
“A nova administração portuguesa não é o primeiro governo a recorrer a confiscos de ativos e medidas populistas. A Venezuela e a Argentina também pertencem a este clube”, escreve o Financial Times.

Em 16 de Fevereiro de 2014, o “Financial Times” dizia que Portugal era o herói-surpresa da retoma na Zona Euro, o aumento das exportações e o bom desempenho no sector do turismo justificam esta visão.

Portugal volta agora (apenas 50 dias após a tomada de posse do novo governo e sem que haja ainda um orçamento aprovado) a aparecer no Financial Times, só que, desta vez, como o anti-herói: "Portugal acusado de provocar investidores estrangeiros". Novo Banco, TAP e subconcessões de transportes são os exemplos avançados no artigo publicado pela publicação britânica.

O Financial Times diz que Portugal é acusado de afastar investidores estrangeiros.


Começando pelo Novo Banco, a contestação à decisão do Banco de Portugal de transmitir 1.985 milhões de euros de dívida do Novo Banco para o BES, afetando a igualdade de tratamento entre detentores de dívida sénior, tem tido lugar nos grandes órgãos de comunicação internacionais.
Devido à recapitalização do Novo Banco, a PIMCO (uma das maiores gestoras de activos do mundo) acusou Portugal de ser a Venezuela da Europa, acusando o país de confisco e prometendo contestação judicial.

O Financial Times relembra a afirmação de Pedro Passos Coelho à Renascença, em que comentou que as ações do Governo de Costa minam "a confiança dos investidores externos", culpando António Costa pelos problemas na TAP mas também no Novo Banco.
A arte do impossível



A TAP merece também destaque na notícia do Financial Times, apesar das indicações de que há uma aproximação entre o Executivo e o consórcio formado por David Neeleman e Humberto Pedrosa. António Costa quer a maioria do capital da transportadora, apesar de o Governo de Pedro Passos Coelho ter assinado, em Novembro, a venda de 61% do capital ao consórcio. Uma decisão que tem causado polémica, já que existe um contrato assinado.
O jornal britânico menciona ainda a reversão das subconcessões de empresas dos transportes. Todas elas tinham já um comprador definido, todas de fora do país, mas o Governo de António Costa optou por reverter os contratos, que aguardavam ainda aprovações por parte de autoridades reguladoras. As embaixadas de países de onde eram oriundos os grupos compradores, como o México, já se pronunciaram e mostraram-se contra a opção, lembrando que os contratos de subconcessão estão incluídos em entendimentos de maior dimensão, fazendo crer que com estes processos de reversão o investimento estrangeiro em Portugal ficará muito seriamente comprometido.
Estas são, segundo o Financial Times, questões que colocam em causa a imagem do país. O Financial Times refere ainda uma entrevista a Jujtaba Rahman (do grupo de consultoria Eurasia Group), em que este afirma que o Executivo português "enfrenta a tarefa impossível de concilicar exigências contraditórias entre os parceiros de esquerda e a comunidade de investimento internacional. Algo que, segundo disse Rahman ao jornal, terá um "impacto negativo sobre o ambiente empresarial português durante anos".

Artigo de opinião de Alberto Moura e Joana Barroso Calisto Valério