terça-feira, 1 de março de 2016

Pacheco Pereira, o descendente espúrio dos Senhores de Aveloso.

A biografia Wiki dá Pacheco Pereira como tendo nascido no Porto, na Rua de Santos Pousada, numa família de classe média, porém, com raízes aristocratas que remontam à Idade Média. Nesta determinação genealógica Pacheco Pereira surge como descendente bastardo dos Senhores de Aveloso. Esta, aparentemente, simples descrição contém em si uma complexidade que importa traduzir, facilitando, assim, a leitura dos mais distraídos. Pacheco Pereira não é um homem qualquer.

A mesma fonte biográfica dá, no entanto, Albano de Jesus Beirão como a figura maior de Aveloso. Ora, tal assunção é, no mínimo discutível, pois na realidade Aveloso deu ao Mundo dois homens cuja dimensão rivalizará nos anais da História.

Sendo certo que Pacheco Pereira é uma figura mediática conhecida, também é certo que muitos não conhecerão a, até agora, considerada figura mítica de Aveloso. Ora, de acordo com os registos conhecidos, Albano de Jesus Beirão trepava pelas paredes, rebolava-se pelo solo, corria e uivava como um lobo ou um cão, percorrendo as estreitas ruas da aldeia, de dia ou de noite, amedrontando os moradores que o julgavam possuído por um "espírito ruim".

O "Albaninho" ou "Albano do Mal", como era conhecido nas redondezas,  subia ao pelourinho de cabeça ao contrário e fazia o pino sem qualquer apoio, saltava paredes com cerca de 6 metros de altura e era capaz de beber um cântaro de 5 litros de água sem parar. Para satisfazer a sua sede, o povo deixava na soleira das portas, gamelas cheias de água que o "Albaninho" sorvia sofregamente.

Têm de admitir que Albano de Jesus Beirão também não era um homem qualquer. A sua história tornou-se tão popular que algumas companhias de teatro o levaram ao palco através da personagem do "Homem Macaco". Bem, mas o que liga o autor de "O Paradoxo do Ornitorrinco", descendente bastardo dos Senhores de Aveloso ao "Albaninho"? Talvez a origem, Aveloso, o espírito crítico, o inconformismo, a intelectualidade, a polémica... Não sei! Confesso que não cheguei a assistir às proezas do "Homem Macaco", no entanto assistimos, com alguma frequência, a proezas protagonizadas pelo JACARÉ, conforme surge apelidado in "A Vida e Obra de Pacheco Pereira", certamente a propósito da sua coluna semanal na revista "Sábado".

 A última proeza de Pacheco Pereira surgiu retratada no Diário Económico de 29 de fevereiro, onde este critica o “pensamento único” que domina jornalismo económico em termos de políticas económicas e de notícias sobre empresas. Olhando para o cenário económico e financeiro do país, haverá alguma razão que justifique o consenso das elites do jornalismo económico?
 
Pacheco Pereira insurge-se dando como exemplo de lufada de ar fresco, no coro monocórdio dos jornalismo económico, tão pouco ligado à realidade social, a coluna que o ex-ministro das Finanças grego do Syriza, Yanis Varoufakis, assina no DN. Termina queixando-se do tratamento dado às manifestações da CGTP que, nas suas palavras, "representam outro mundo", talvez mais prioritário, acrescentando que "muitas vezes o jornalista procura "o boçal", como a típica frase "meteram-me no autocarro e trouxeram-me cá"...

Proeza inaudita esta. Pacheco Pereira, afastando-se da generalidade dos especialistas económicos, reproduziu um dos famosos números de Albano de Jesus Beirão: o pino sem qualquer apoio. Neste caso, relativamente a uma temática arriscada para qualquer ex-aspirante a militante do PCP: a da Economia. Fica, no entanto, o mérito pela frontalidade na defesa dos correntes syrizianas que conduziram a Grécia ao abismo económico e social. Aquilo que ninguém, pelo menos, no seu prefeito juízo deseja para Portugal.