terça-feira, 5 de abril de 2016

Foi um congresso onde ficou bem demonstrado o controlo que o PedroPassos Coelho tem sobre a máquina partidária

Alguns pontos sobre o 36º Congresso do PSD

Pedro Santana Lopes - Salvou o congresso. Num congresso onde havia uma expectativa muito grande relativamente à ação do José Eduardo Martins e do Pedro Duarte, o Santana Lopes veio em socorro do Pedro Passos Coelho e fez o que poucos teriam capacidade e legitimidade para fazer. Ridicularizou os eternos opositores, o Rui Rio, a Manuela Ferreira Leite e o Pacheco Pereira. 
Num discurso bem humorado e com bastante nível disse tudo o que Passos Coelho precisava que fosse dito.

Aguiar Branco - defendendo a direção nacional, tentou colocar o Pedro Duarte e o José Eduardo Martins acima da imagem de "efant terribles". O desafio que fez aos principais atores políticos do PSD para concorrem nas próximas eleições autárquicas foi aparentemente ignorado. Se é compreensível que este desafio tenha sido visto com algum pânico pela Teresa Leal Coelho e por muitos dos que integram a Comissão Política Nacional, tratando-se de algo que não é inédito no PSD, ia requerer que conseguissem identificar o desafio do Aguiar Branco como uma oportunidade.

Paulo Rangel - Foi o melhor discurso que fez até hoje. Evoluiu bastante desde o momento em que perdeu as eleições diretas para o Pedro Passos Coelho.

Podemos assumir com bastante certeza que o Congresso, numa perspectiva interna do partido, correu muito bem ao Pedro Passos Coelho. 
Com a alteração de abordagem ao governo esvaziou completamente o discurso dos descontentes internos e forçou-os a apresentarem-se com discursos mornos e cheios de banalidades.
Os convites para a Comissão Política e a pressão exercida sobre as distritais e concelhias também evitou movimentações para a criação de listas fortes alternativas à lista oficial, garantindo um resultado esmagador para a lista patrocinada por si.

Foi um congresso onde ficou bem demonstrado o controlo que o Pedro Passos Coelho tem sobre a máquina partidária. Também foi muito evidente a prudência que os presidentes de distrital e de concelhia demonstraram com os olhos postos nas próximas eleições autárquicas. Aliás, a cedência à vontade das bases ficou bem explicita pelas afirmações do Almeida Henriques, ao assumir o regresso dos autarcas "empurrados" para candidaturas independentes (lê mais aqui), pondo fim a guerras com mais de 10 anos. 

Claramente o PSD quer ganhar as próximas eleições autárquicas e parece que está disponível para fazer tudo ao seu alcance para que isso aconteça.


(A figura do Congresso)