terça-feira, 5 de julho de 2016

Portugal não merece sanções, o Governo sim


Portugal vive neste momento o fantasma da aplicação de sanções por parte da Comissão Europeia no chamado procedimento por défice excessivo. Em abono da verdade nenhum dos objetivos macroeconómicos definidos pelo governo no orçamento se irá concretizar. Basta atendermos que o crescimento ficará abaixo dos 2.6% e muito provavelmente abaixo dos 1,5%, que o défice ficará acima dos 2.2%, e que a dívida pública tenderá a aumentar. Tudo isto anda em sentido contrário com o discurso otimista do Primeiro-Ministro António Costa. A juntar a todo este cenário já de si complexo, sabemos todos que o sistema financeiro está perto da rutura e com urgente necessidade de recapitalização, como o é o caso mais recente da Caixa onde os valores em causa andam perto dos 5,6 mil milhões de Euros. Sem esquecermos o processo da venda do Novo Banco que irá seguramente provocar perdas para outros bancos. Num cenário grave a situação poderá despoletar um novo programa de assistência financeira para acudir ao sistema financeiro nacional (situação que a população já não entende pois é sobre ela que os impostos que servem para pagar toda a incompetência do sistema incidem). Não vejo, honestamente, com as medidas exterminadoras deste governo, de parte do caminho de credibilidade que Portugal havia construído nos últimos anos, que Portugal fique a salvo das sanções europeias e da imposição mais cedo ou mais tarde de um programa de assistência financeira, qual regresso ao passado. Ou o governo compra um conflito com a UE, para manter a geringonça minimamente funcional, com resultados imprevisíveis, ou num regresso à austeridade e em obediência a Bruxelas, metamorfoseia o BE e o PCP numa espécie de versões Syrizianas. A vida não está fácil para o PM António Costa, agora que se aproxima a preparação e discussão do OE2017. Teremos eleições antecipadas forçadas? Em resumo, Portugal não merece sanções, o Governo sim.