segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Onde andam as referências do PSD?

Nos tempos que correm parece claro o afastamento dos eleitores em relação aos partidos políticos. Para contrapor esse afastamento é necessário que se reanimem as principais referências dos partidos políticos por forma a reativar relações de confiança que existiam desde o 25 de abril de 1974.

Nesta perspetiva, todos os partidos têm perdido referências. No entanto, o PPD/PSD é seguramente o que tem sido mais penalizado. Senão, vejamos. Desde 2011, pela mão de Pedro Passos Coelho, o partido tem tentado (a meu ver bem) renovar as suas estruturas, mas, na prática, a forma como essa renovação tem vindo a ser conduzida está a afastar muitas das grandes referências do principal partido português.

A mentalidade de uma grande maioria de dirigentes defende, na retórica, a necessidade de ter presente as referências do PPD/PSD. Porém, a “práxis” revela que apenas se têm usado as ditas referências para alavancar resultados eleitorais, não lhes dando, verdadeiramente, a possibilidade de voltarem a intervir e decidir no presente e para o futuro.

Quando falo de referências, refiro-me a pessoas que construíram o PPD/PSD e que o recriaram ao longo destes 42 anos de Democracia.

Refiro-me a referências como Aníbal Cavaco Silva, Francisco Pinto Balsemão, Leonor Beleza, Fernando Nogueira, Miguel Cadilhe, Miguel Beleza, Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, Manuela Ferreira Leite, Paulo Teixeira Pinto, Ferreira do Amaral, Rui Rio, Ângelo Correia, Pedro Roseta, Morais Sarmento, Mira Amaral, Luís Filipe Menezes, António Capucho, Isaltino Morais, Carlos Pimenta, Macário Correia, Silva Peneda, Eduardo Catroga, Graça Carvalho, Luís Filipe Pereira, Mota Amaral, Alberto João Jardim, Guilherme Silva, Carlos Tavares, João de Deus Pinheiro, David Justino e Pedro Lynce.

Estas figuras, a par de outras mais presentes, fazem parte da história do PPD/PSD e representam as referências da social-democracia que ao longo dos últimos anos definiram o rumo de Portugal nas mais diversas áreas de intervenção. São para mim e para a minha geração (1974) os faróis do PPD/PSD e aqueles que, na perspectiva de quem quer realmente evoluir, ainda muito podem dar ao futuro de Portugal.

A revitalização de uma qualquer estrutura passa naturalmente pela inclusão de sangue novo, mas não pode abdicar de ter o “cimento” das referências que permitem uma transição para o futuro assente nos valores e princípios que compõem o ADN dessa mesma estrutura. Assim deve ser também com o PPD/PSD.

Pergunto-me como pode um jovem que passou a maior parte da sua vida a estudar e por detrás de um computador cativar a atenção de um ancião de uma freguesia rural, que viveu intensamente o 25 de abril de 1974?

Como pode o mesmo jovem motivar um social-democrata que assistiu e participou na constituição da Aliança Democrática por Sá Carneiro, em 1979?

Como pode o mesmo jovem cativar a atenção de um qualquer português que viu partir a maior referência da social-democracia, num longínquo acidente de avião em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980?
Como pode um jovem dirigente perceber a dimensão do feito de Aníbal Cavaco Silva que viu os portugueses atribuírem, nas eleições de Julho de 1987, a primeira maioria absoluta ao PPD/PSD com 50,2% dos votos?

Como pode um jovem perceber as consequências para o PPD/PSD da difícil decisão de Durão Barroso, em Junho de 2004, quando se demitiu para mais tarde ser eleito o 12º Presidente da Comissão Europeia?

Como pode a geração mais nova perceber as tremendas dificuldades que teve Pedro Santana Lopes no XVI Governo Constitucional, que culminou num erro histórico de Jorge Sampaio com graves consequências para o PPD/PSD e para Portugal?

Como pode a geração da década de 70 reanimar um partido politico, essencial na democracia portuguesa, sem o recurso às essenciais referências do PPD/PSD que constituíram estes momentos históricos e fundamentais da nossa Democracia?

Só vejo uma maneira. Voltar a chamar à intervenção política essas referências. Agora também é importante que algumas dessas referências, que muito devem ao PSD, estejam disponíveis para os desafios mais difíceis, retribuindo assim de forma justa e ajudando a reforçar a relação de confiança do PSD com os eleitores.


Havendo a humildade e disponibilidade de todos devemos então partilhar o presente, sem receios, porque só assim haverá garantia de futuro.