sábado, 8 de outubro de 2016

Lisboa...o início do fim!



Lisboa é naturalmente uma câmara municipal apetecível do ponto de vista estratégico para qualquer dirigente partidário. Aliás, da autarquia lisboeta já saiu um Presidente da República (Jorge Sampaio) e dois primeiros-ministros (Pedro Santana Lopes e António Costa), o que revela a verdadeira vocação da autarquia para “alavancar” carreiras políticas.

A candidatura à Câmara de Lisboa por parte de Assunção Cristas pode revelar-se um indicador ou até um sinal “divino” no sentido de revermos o cenário de 2001 em que, por antecipação, o então líder do CDS/PP, Paulo Portas avançou com uma candidatura autónoma, procurando assim afirmar-se na liderança do CDS e tentando condicionar o PSD de Durão Barroso.

O resultado para o CDS foi dramático com Paulo Portas a conseguir apenas cerca de 7% dos votos e vendo o PSD conseguir ganhar a Câmara Municipal de Lisboa pela mão de Pedro Santana Lopes, que vinha de uma experiência autárquica muito bem-sucedida na Figueira da Foz. Recordo que Santana Lopes venceu João Soares que era um ativo do PS muito mais forte do que é hoje Fernando Medina.

Ser líder de um partido e candidata a Lisboa condiciona tudo ao resultado eleitoral e não creio que os centristas estejam esperançados numa vitória em Lisboa, muito menos sem o apoio do parceiro PSD. A derrota do CDS/PP é o resultado anunciado e apenas está em causa se será com 4% (como revelam os números do CDS nas sondagens nacionais) ou se consegue atingir o resultado de 7% de Paulo Portas (algo a roçar a utopia). Nos dois cenários, a derrota será sempre da líder do partido e as consequências são óbvias. Demissão e abrir caminho a Nuno Melo.

Quanto ao PSD terá de encontrar um candidato que tenha perfil e capacidade para vencer a corrida à capital, mas no tempo que o mesmo PSD já havia definido em Conselho Nacional. Ou seja, lá para o 1.º trimestre de 2017. Esta conjuntura pode ter dado, involuntariamente, a ajuda que faltava para motivar alguns potenciais candidatos da área do PSD. Os ativos sociais-democratas são imensos e desenganem-se os que pensam que não aparecerá uma candidatura vencedora.

Este “golpe” de Assunção Cristas e as movimentações apressadas do PS de Lisboa, que logo veio atacar a candidatura da centrista, revelam que, afinal, o nervosismo está lá e a preocupação de perder também. Como factos quase assumidos temos a provável ausência de coligação do PCP e do BE com o PS, não havendo assim (em tese) uma reconstituição da gerigonça ao nível local. 

O PCP terá de apresentar um candidato fortíssimo para garantir um resultado que lhe permita resistir eleitoralmente ou então agregar-se ao PS para garantir algumas juntas de freguesia em Lisboa. Já o BE vai, com certeza, apostar num candidato para cativar aquele que é o seu eleitorado tradicional, jovem e urbano, garantindo assim a pressão sobre o PS e a sua influência na geringonça, mas não ameaçando Medina.

Com esta pulverização de votos à esquerda o grande beneficiado pode mesmo ser o PSD. Uma coisa é certa: o cenário a que os portugueses assistiram a nível nacional – com a formação de um Governo excluindo quem havia ganho as eleições – não se repetirá em Lisboa, uma vez que a lei eleitoral, no caso das autarquias locais, não o permite, pois é eleito presidente o cidadão melhor posicionado na lista vencedora. 

Portanto, para ganhar Lisboa basta mais um voto. Apenas isso e aí, no “campeonato” de quem pode ganhar, só duas forças o disputam. O PS e o PSD.

Assim vai Lisboa...