sexta-feira, 17 de março de 2017

Teresa Leal Coelho - A Bomba Atómica

Dita o bom senso que em período pré eleitoral haja alguma contenção nas palavras, especialmente para quem tem responsabilidades partidárias. O que não é o meu caso.

São processos tão complexos, que mexem com tantas sensibilidades, com as aspirações de tanta gente, que uma vez tomadas as decisões, a esmagadora maioria dos dirigentes partidários opta por esperar pelo resultado das eleições para tirar os dividendos políticos dos erros dos seus líderes.

Se há pouco tempo atrás o Fernando Medina era visto como um candidato fraco, sem notoriedade, um autarca incapaz de planear as obras na cidade, (lê mais aqui), e era visto como um presidente diminuído na legitimidade pela forma como o António Costa lhe deixou o poder nas mãos, hoje em dia as coisas já não são assim tão claras.  

Apesar disso, o CDS apostou pesado, apresentou a sua líder, Assunção Cristas, uma mulher que tem vindo a subir nas sondagens. Uma candidata que não perdeu tempo a posicionar-se como a candidata das famílias, a candidata que coloca a família à frente de tudo, a candidata que finalmente põe os problemas do setor financeiro na posição que merecem, uma candidata que preferiu assinar sem ler a resolução do BES a interromper as férias em família (lê mais aqui).

Mais estratégico, como sempre, Pedro Passos Coelho também jogou forte e acabou por trocar as voltas a todos.

Sendo Lisboa essencial para a estratégia autárquica do PSD, Pedro Passos Coelho deixou que as estruturas locais partidárias e a coordenação autárquica se convencessem que mandavam alguma coisa e foi gerindo o tempo como quis. Para poupar tempo, pediu ao José Eduardo Martins para escrever o programa eleitoral e ao mesmo tempo deixou que os nomes de Santana Lopes, Morais Sarmento, Jorge Moreira da Silva, José Eduardo Moniz, Pedro Reis, Carlos Barbosa, e Maria Luís Albuquerque (lê mais aqui) circulassem para assim garantir que ninguém descobria a sua estratégia.

Como sempre a estratégia estava acima de tudo.

Mesmo quando um milhar de lisboetas reconheceram o líder o PSD como o único capaz de ganhar as eleições em Lisboa e lhe pediu para dar a cara pela cidade capital do país, nem assim ele cedeu (lê mais aqui). Mas afinal tudo tinha um sentido.

A escolha do líder do PSD é Teresa Leal Coelho, e percebe-se porquê (lê mais aqui). Pedro Passos Coelho escolhe a única candidata capaz de condicionar tanto o posicionamento da Assunção Crista como o do Medina.

Se não vejamos:

No combate com Cristas, ambas são mulheres, licenciadas em Direito e ambas se posicionam como as candidatas da família. Aqui Teresa Leal Coelho evidencia-se pela forma como liderou a contestação à co-adoção por casais homossexuais, ao ponto de se ter demitido da liderança de bancada do PSD. A idade e a experiência profissional, tanto académica como pela diversidade (passagem pelo CCB e pela administração de Vale e Azevedo na SAD do Benfica) são pontos a favor da candidata anunciada por Pedro Passos Coelho.

No combate com Medina, a candidata do PSD consegue sair valorizada por ser mulher e por conseguir condicionar de forma muito eficaz a diversidade do percurso político do Medina. É que se este é nascido e criado no Porto e foi eleito deputado em 2011 pelo distrito de Viana do Castelo, a Teresa Leal Coelho foi eleita deputada, nesse mesmo ano, pelo distrito do Porto e na legislatura seguinte, em 2013, pelo distrito de Santarém. Como autarca, apesar de se fazer substituir a maior parte das vezes por ser deputada, a candidata do PSD tem ainda a seu favor o facto de ter sido eleita vereadora em Lisboa.

Com esta escolha, que apanhou as estruturas do PSD de surpresa (lê mais aqui), Pedro Passos Coelho mantém viva a sua estratégia e nisto há que reconhecer que Pedro Passos Coelho não brinca, apoiando alguém da sua inteira confiança, casada com o seu ex-chefe de gabinete (lê mais aqui), professora na Universidade Lusíada, onde Passos terminou o curso, e sua vice-presidente, uma apoiante incontestável...

Claramente Pedro Passos Coelho continua a preparar as próximas eleições legislativas.