quarta-feira, 18 de outubro de 2017

VALHA-NOS AO MENOS ISSO


Vai tarde, mas vai sempre a tempo. Mas mais do que uma demissão, a saída de cena da Senhora Ministra da Administração Interna, é um atestado de incompetência e de sujeição de um Primeiro-Ministro que não soube ser líder. Não soube ser humilde e caloroso com quem sofre e não soube respeitar as 102 mortes que ocorreram, revelando um alheamento e uma frieza que a todos só pode indignar. De um Primeiro-ministro responsável pela falência do Estado em questões essenciais como a proteção de pessoas e bens. Do mesmo modo que não soube na devida hora assumir a responsabilidade política de quem Governa. Antes manteve, soube-se agora, contra vontade própria, um membro do Governo em funções, que já não tinha condições políticas para continuar e urgentemente a necessitar de férias. Quanto mais condições para promover as reformas necessárias no sistema de proteção civil e nas cooperações que a compõem e no reordenamento florestal e territorial em Portugal. Honestamente, nada podemos apontar a condições climatéricas adversas que em muito contribuíram para a catástrofe dos incêndios. No entanto, foi por demais evidente uma total descoordenação das entidades com responsabilidade no Sistema de Proteção Civil na tragédia ocorrida há 4 meses em Pedrogão. O mesmo se sucedendo na tragédia do ultimo fim-de-semana, para mais quando se sabia por parte do IPMA que seriam dias de grande risco de incêndios pelas condições atmosféricas que se adivinhavam. Já para não falar na irresponsável mudança das estruturas dirigentes das entidades publicas com responsabilidades nestas áreas em pleno ciclo de prevenção e combate aos incêndios. O mais lamentável, retirando as vitimas, foi a necessidade de se despoletar o descargo de consciências e assunção de responsabilidades, pela via de uma comunicação ao país por parte do Presidente da República. Esse sim, exercendo o seu magistério com enorme sentido de Estado. Valha-nos ao menos isso.