quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Os “Robles” e o Capital Político


Para que os decisores possam mobilizar e atrair, é essencial que tenham uma saudável e consistente reserva de capital político. 


Este capital relaciona-se com uma condição que os políticos precisam de ter para agir bem e com a capacidade de influenciar as decisões políticas, no sentido certo.

Um eleito, na sua acção legitima, nem sempre tem uma tarefa simples. Muitas vezes enfrentam problemas complexos e precisam tomar decisões difíceis, com consequências desagradáveis ​​para os cidadãos.  

É para que possam tomar as decisões necessárias, e para que possam sobreviver politicamente, que os nossos representantes precisam de capital político.

Este capital pode ser considerado uma unidade de medida que permite avaliar a autoridade dos que se movem na esfera do poder e mede-se essencialmente por três fatores: as habilidades, as relações com o meio envolvente e a reputação.

O primeiro fator - habilidades - refere-se, por um lado, a qualidades como a competência técnica e por outro lado, a uma visão e discurso convincente, capaz de inspirar o público. Este primeiro fator refere-se às habilidades cognitivas, físicas e de comunicação.

O segundo fator - relação com o meio envolvente – assenta na noção de que autoridade e capital político não existem isoladamente, mas surgem na sequência do relacionamento entre o individuo e o meio onde age.  

Neste caso, o capital político refere-se ao fator das lealdades que os decisores públicos mobilizam nas relações com os seus seguidores, mas também com a comunicação social e com todo o eleitorado.

O terceiro fator - reputação - pode resumir-se a uma questão simples. Até que ponto um político mantém as suas promessas e em que medida consegue corresponder às expectativas generalizadas? A resposta deve assentar em premissas como a boa formação e os valores que garantem a coerência de cumprir o que se promete e fazer o que se diz.

Assim cai o mito que associa o capital político à credibilidade. É uma associação frágil, que nem sempre tem adesão à realidade.  O valor da credibilidade deveria ser a base do capital político uma vez que os dois conceitos não parecem poder existir um sem o outro, mas nem sempre é assim.

Tem de ser cada vez mais evidente que a acção dos protagonistas deste tempo deve assentar na credibilidade e só por essa via devem ter mais (ou menos) crédito.

No entanto, ao contrário do que deveria ser, hoje o cenário português parece cópia fiel do que defendeu Pierre Bourdieu em 2000 no seu livro “Propos sur le Champ Politique”, quando defendia a ideia de que o campo político é composto por sujeitos iniciados que, ligados entre si, têm como fim perpetuar a sua posição no jogo político.

Hoje o capital político assente na credibilidade parece cada vez mais um conceito em extinção, e basta ver os exemplos dos “Robles”, das “Catarinas” e de outros protagonistas, da direita à esquerda dos nossos partidos.

É difícil aceitar que sejam estes os protagonistas que condicionam o futuro dos nossos filhos. Primeiro porque têm pouca credibilidade e segundo porque não são merecedores de qualquer capital político.