segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A quarta "Era" da comunicação


Em tempos passados, a forma de comunicação política era direta e fazia-se através de reuniões públicas em salões de igrejas, cinemas, salões de baile e campanhas políticas de porta-a-porta. Nos dias de hoje, estes métodos são cada vez menos comuns e limitados, principalmente a países onde a tecnologia não permite que a mensagem seja enviada diretamente para casa das pessoas.

Estamos perante uma evolução da comunicação e nesse sentido, já em 1999, os autores Blumler e Kavanaugh distinguiam a evolução da comunicação política em três eras distintas. 

A primeira era, ocorreu antes do início da televisão, quando os principais canais de comunicação eram instituições políticas fortes e estáveis, como os partidos políticos tradicionais ligados aos regimes.

A segunda era, foi aquela onde as mensagens passaram a ser transmitidas através dos meios de comunicação de massa, o que fez com que a procura por profissionais de comunicação tenha aumentado uma vez que estando estes profissionais inseridos no meio, poderiam explorar melhor as suas vantagens.

Na terceira era, ainda emergente, a componente essencial distinguida foi a existência dos média e todos os seus canais de comunicação. Nesta era, a profissionalização da comunicação política torna-se cada vez mais evidente e passa a ser um fator essencial de sucesso. Os seus melhores profissionais colocam como prioridade a orientação dos agentes políticos, para que possam comunicar através da multiplicidade de canais, cada um deles com um conjunto de necessidades e formatos específicos.

É hoje claro que estamos na terceira era da comunicação política e esta tornou-se uma atividade voltada para as grandes massas usando os meios de comunicação (jornais, televisões e redes sociais). Esta mudança de paradigma permitiu que os média não só escolham o que transmitir como notícia, mas também escolham a maneira como essa notícia deve chegar aos respetivos grupos que compõem a sociedade.

A comunicação política, hoje, deixou de ser uma atividade direta, pessoal, face a face, para ser conduzida, indiretamente, através dos órgãos de comunicação social e dos vários canais de comunicação. Neste caso só as redes sociais podem fugir deste controlo dos órgãos de comunicação social.

Embora estas mudanças possam ter algumas perversões - e é fatual que têm - não deixam de representar um avanço enorme para a comunicação política, conseguindo desta forma, um meio para chegar o mais longe possível.

Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação, a mensagem política chega a cada vez mais eleitores e isso significa que a evolução tecnológica ajudou, e ajuda a influenciar mais pessoas e mais instituições.

Se tivermos em conta a proliferação da internet nas últimas décadas temos de reconhecer que esta representou uma verdadeira revolução para a democracia global. Hoje cada vez mais cidadãos têm acesso à informação política o que, de certa forma, permite dar-lhes as ferramentas e conhecimentos para que as escolhas que possam vir a fazer sejam cada vez mais conscientes e sustentadas.

Além disso cada cidadão com acesso à comunicação passa a ser um meio de difusão da mensagem política, o que permite que esta mesma mensagem atinja todos os cantos do mundo.

Mas nesta era da abundância dos média, a comunicação política tem vindo a ser reformulada por tendências que fogem da origem da ciência política e da comunicação simples.

O aumento das pressões competitivas dos órgãos de comunicação social; o populismo anti-elitista e tão “acarinhado” por alguns jornalistas de uma pertença esquerda; o sebastianismo defendido por jornalistas de uma pertença direita que desvaloriza as opiniões contrárias; o experimentalismo e ambição (desmedida) de alguns profissionais da comunicação política; a avidez selvagem de algumas agências de comunicação; o jornalismo tendencioso (que recorre a falsas fontes); e por fim a mudança dos eleitores na abordagem às mensagens políticas, são fatores que obrigam a repensar a estratégia futura da comunicação política.

Surge então, dentro da terceira era emergente da comunicação política, a necessidade de procurar um meio eficaz que não permita que sejam os média a decidir o que se comunica ou não, ao nível da mensagem política, mas sim os agentes políticos em conjunto com os responsáveis da comunicação social.

Compete a estes responsáveis construir os canais para termos uma comunicação política que se quer sem ruído, sem filtros prévios, esclarecedora e acima de tudo, com a capacidade de chegar aos seus verdadeiros destinatários que são os eleitores.

O desafio é criar uma quarta era da comunicação política onde os agentes políticos e os representantes dos média possam, em conjunto, contribuir de forma responsável para uma sociedade mais informada, mais esclarecida e por consequência mais democrática.