quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A substância da Comunicação Política




A Comunicação Política é uma área em plena expansão quer do ponto de vista da reflexão teórica, quer do ponto de vista da sua prática nos mais variados domínios. Trata-se de uma temática central no panorama político atual e que tem de ser executada tendo em conta a essência da prática política e os princípios mais básicos da comunicação.

Na essência da prática política devemos apostar numa estratégia de comunicação inovadora e eficaz que responda e desmistifique a descrença que existe atualmente para com a classe política e que tem afastado os eleitores de participar.  

Nesta matéria para a comunicação ter sucesso é fundamental conhecer a "praxis" política, os comportamentos dos partidos políticos e dos aparelhos, as dinâmicas que existem nas relações inter-partidos e acima de tudo a forma como se relacionam com a comunicação social. Este é um conhecimento essencial para obter uma comunicação política eficaz. 

Relativamente aos princípios básicos de comunicação eles dizem-nos que quanto mais informação, quanto melhor o conhecimento acerca da governação e da liderança, dos programas eleitorais e do estado do país, mais se afirma a Democracia. 

Ora então poderíamos dizer que mais informação é a garantia de eleitorado esclarecido. Mas neste campo não é a quantidade da informação que importa, mas sim a qualidade e a clareza dessa informação.

Para o fornecimento dessa informação clara e de qualidade muito contribuem a grande maioria dos profissionais - da área da Ciência Política, da Comunicação e do marketing - que suportam a comunicação política recolhendo e interpretando informação e comunicando, da forma mais positiva possível, as decisões que são tomadas pelos líderes com quem colaboram.

Hoje a arena política é um meio que exige cada vez mais profissionalismo, técnica, rigor científico e nestas circunstâncias a comunicação política pressupõe planeamento, previsão e controlo. O que o líder político diz e faz e o modo como ele se apresenta, tem de ser acompanhado por uma mensagem política profissionalmente estabelecida e orientada para ser eficaz.

Nos dias que correm há cada vez menos espaço para o amadorismo, para o recurso ao improviso e para a falsa espontaneidade que faz com que muitos atores políticos prometam, sob pressão mediática, o que não podem fazer.

Importa cada vez mais controlar o acaso e conseguir antecipar e prever os impactos da comunicação política. O recurso a sondagens, pesquisas e análises rigorosas de matérias concretas permitem a antevisão e a intervenção que leva uma comunicação eficaz.

Mas na comunicação política - que se pretende sempre de confiança - nenhuma estratégia, por mais inovadora que seja, prevalece se no essencial um dirigente político não tiver ideias próprias, objectivos claros, convicções sólidas, um perfil de seriedade e acima de tudo valores.

Resta saber se os partidos políticos portugueses e os órgãos de comunicação social já compreenderam isso e se querem, em conjunto, renovar a confiança com os eleitores e os telespectadores para reduzir a falta de informação credível e acima de tudo a abstenção.


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