sábado, 6 de outubro de 2018

A última oportunidade

Hoje, o paradigma do líder político assenta em bases que são definidas no seio dos próprios partidos políticos e nas ideias defendidas por um status quo, uma pequena oligarquia, que procura não mudar nada. Já em 2016 escrevi sobre este tema e objetivamente pouco ou nada mudou.

Existem vários fatores que têm provocado o afastamento dos cidadãos da participação política, entre os quais o facto de os líderes, nos últimos anos, desiludirem os seus eleitores.  E isto tem levado cada vez maior número de pessoas a questionar os atuais líderes, a sua ação e o próprio futuro de Portugal.

Começa a ser óbvio que a necessidade de encontrar um novo paradigma de liderança é um imperativo nacional. Esta deve ser, aliás, uma discussão e um debate centrado na verdadeira necessidade de Portugal enquanto País periférico e dependente no quadro da União Europeia.

A política faz-se para as pessoas e com as pessoas, e um qualquer líder que despreze esta verdade fracassará.

Isto leva-nos à chamada “pergunta de um milhão de Euros”. Que líder queremos para o futuro? Será aquele que faz as perguntas certas ou aquele que nos oferece as respostas certas? Será um coordenador ou um catalisador? Será o homem do leme ou o navegador que estabelece a direção? Um futuro líder deverá ser um mestre na arquitetura financeira, económica ou social? Será um político? Um tecnocrata? Um gestor e um empreendedor de sucesso? Alguém com total independência do status quo? Ou um pouco de tudo isto?

Provavelmente é um líder com um pouco disto tudo. Alguém que desafie a “corte” de Lisboa (os interesses instalados)…alguém que possa agir em função de convicções (sem utopias e eleitoralismos), alguém que comunique para as pessoas e não para os média (mesmo que seja politicamente incorreto)…alguém que seja visto pelos portugueses como intrinsecamente sério (qualidade sine qua non para liderar)…alguém que corra como um Rio até atingir o Mar (que ultrapassa todos os obstáculos).

Assumamos que se fala do líder do PSD, afinal enquadra-se no perfil. Tendo em conta este cenário e sabendo que hoje é consensual que para ser um bom líder não basta ser um bom político, Rui Rio parece estar confortável com os desafios de um novo tempo onde a globalização é hoje uma realidade e onde os mercados comandam e definem as circunstâncias.

Os modelos de governação e os líderes do presente e do futuro têm de se adaptar aos novos tempos e Rio, apesar do ruído, está a trilhar esse caminho que talvez nunca tenha sido desbravado.

Trata-se de um caminho que põe em causa a estratégia das muitas das lideranças passadas que colocaram como prioridade a prática de técnicas de sobrevivência, em vez de darem prioridade ao desenvolvimento e ao sucesso do País.

Rui Rio parece querer fazer diferente e entendeu a diferença entre a sobrevivência política e o sucesso político. Por isso parece estar já a adaptar-se às novas realidades inovando na forma de agir e recriando o modelo de liderança assente nas bases corretas, de acordo com os interesses dos portugueses.

A ser assim, Rui Rio não só sobreviverá, como terá o sucesso associado à forma eficaz de gestão que defende para o País e à força das suas convicções. Mesmo que vozes residuais lhe vaticinem a morte política prematura.

Mas o líder do PSD não deve ceder, aliás deve procurar o sucesso de Portugal evitando a miopia que apenas vê a sobrevivência da sua liderança. Rui Rio deve abraçar uma estratégia de longo prazo, assente num programa verdadeiramente social-democrata, onde, sem tabus e sem dogmas, devem ser defendidos pactos de regime que garantam a estabilidade que perdurará no tempo garantindo um futuro de sucesso para Portugal.

Ninguém procura um D. Sebastião, mas sim uma alternativa ao estilo “ilusionista” e pouco confiável de António Costa. Os portugueses não querem um líder que diga hoje (5 vezes) que o Infarmed vai para o Porto e afinal amanhã já não vai. Os portugueses não querem um líder que enche a boca com a palavra dada, mas que nunca lhes dá uma palavra honrada.

Os portugueses querem um líder que seja motivador e que possa renovar a confiança dos cidadãos, cada vez mais afastados. Objetivamente procura-se “um de nós”, que transmita confiança, seriedade e acima de tudo esperança. Os portugueses procuram um líder, em quem possam depositar o futuro dos seus filhos e dos seus netos.

Rui Rio, como líder do maior partido com assento parlamentar e candidato a primeiro-ministro, tem a responsabilidade de criar o futuro e de inspirar os líderes de amanhã. Hoje é o tempo certo para resistir aos obstáculos e ter a coragem de implementar novas soluções que rompam com o status quo.

O líder do PSD tem a oportunidade de poder mudar uma receita falhada com mais de 40 anos de vida e os portugueses não lhe iriam perdoar que a transformasse numa oportunidade perdida…isso sim seria imperdoável.

As lideranças que defendem genuinamente as suas causas e que procuram o sucesso e bem-estar do seu povo, são as únicas capazes de mudar e de garantir que Portugal, ou qualquer outro País, tem Futuro.



Artigo publicado a 06/10/2018, na edição online do jornal Público:

https://www.publico.pt/2018/10/06/politica/opiniao/a-ultima-oportunidade-1846007