quarta-feira, 22 de maio de 2019

O silêncio é um aliado importante em campanha eleitoral

Com um candidato fraco e dado a momentos caricatos, aparentemente, o PS  está a conseguir contrariar a tendência que o PSD parecia impor no início da campanha para as europeias.

Em abril os números das sondagens JN/TSF/Pitagórica previam um empate técnico entre PS e PSD. No entanto, apesar de todas as gaffes, e de se apresentarem com uma campanha à imagem do candidato, os números mais recentes começam a dar um sinal de recuperação de Pedro Marques.

Apesar de estarem a assumir um discurso tradicional de direita, a entrada de António Costa na campanha e a diminuição da presença de Pedro Marques começaram a fazer efeito. 

Depois do esforço de dispersão do eleitorado de direita, com o surgimento de partidos Liberais, como o Aliança e o  Iniciativa Liberal, cuja página de Facebook já foi uma página de apoio a António Costa, a campanha do PS parece estar obcecada com o o eleitor que votou em Pedro Passos Coelho, e apresenta uma linha claramente virada para atributos que o António Costa não conseguiu associar na campanha de 2017. 

O PS tem feito um esforço para trabalhar atributos que normalmente não lhe estão associados, como a responsabilidade, as contas certas e capacidade de execução.  

A responsabilidade: Sinceramente, não sei qual a ideia mais difícil de passar ao eleitor, se a ideia de que o Partido de José Socrates pode ser responsável, ou se a ideia de que Pedro Marques consegue dar mais que indicações de trânsito a António Costa. 


As contas certas: Acho difícil destronar Pedro Passos Coelho nas contas certas.

A ocupação do espaço do PSD não se fica por aqui, a ideia de que o PS representa o partido do trabalho também está a ser testada na campanha de Pedro Marques.

E se isto já não era estranho o suficiente, o PS foi ainda mais longe, foi buscar o slogan à campanha do Fernando Nogueira de 1995.



Mas isto de pouco importa para o resultado eleitoral do PS, o relevante é que o Pedro Marques fale o menos possível e que o António Costa dê a cara.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O spin do Bispo

Quem estuda propaganda sabe que se há instituição que percebe de comunicação é a Igreja.

No dia 20 de abril o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, vem a terreiro assumir em entrevista à TSF que a sua diocese será a primeira a recusar criar uma comissão para lidar com eventuais casos de abuso sexual de menores. Nesta entrevista, chega mesmo a dizer que criar uma comissão para lidar com casos de Pedofilia na Igreja é tão util como criar uma comissão que estude a queda de um meteorito na cidade do Porto. Aparentemente, para este Bispo, a pedofilia na Igreja é uma questão de astronomia, tão rara como a queda de um meteorito.

Feita a borrada, começa a funcionar a máquina de comunicação, no dia seguinte, dia 21 de abril, o mesmo Bispo, D. Manuel Linda, atira para os média um novo tema - O encerramento dos Supermercados ao domingo. Como não havia tempo para entrevista, as declarações foram feitas na Sé da Diocese durante a homilia da Páscoa. 

Não fosse para abafar o primeiro tema, o spin até se poderia perceber à luz de quem não tem família, nem compras para fazer ao fim de semana. Mas pronto, aparentemente é mais importante o que fazemos ao domingo do que a queda de um meteorito.

Hoje foi com espanto que vi o PCP defender o spin do Bispo.

terça-feira, 23 de abril de 2019

A Grândola Vila Morena de António Costa

Em 2015 um dos Comícios do António Costa foi interrompido por um jovem revoltado que defendia que a verdadeira alternativa ao Passos Coelho era por políticos a limpar florestas. Ontem, outro jovem revoltado invade novamente o palco onde António Costa se preparava para discursar para gritar aos sete ventos que não quer mais aviões.

A verdade é que tal como terá havido uma máquina por trás das serenatas do Grândola Vila Morena aos membros do governo do Passos, também me parece coincidência a mais estes marmanjos invadirem comícios com mensagens que mais parecem desculpas para conseguirem os seus 5 minutos de fama.

Veja as diferenças:

2019

  2015

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Qual é o Partido das contas certas?

Hoje saiu uma sondagem que revela que as coisas não estão a correr assim tão bem ao PS. Apesar de se esperar uma vantagem maior da candidatura de Pedro Marques nas eleições europeias, atualmente a distância para o PSD é inferior à margem de erro. Uma sondagem que provavelmente reflete o familygate que assombrou o governo nos últimos tempos.

É perfeitamente compreensível que um candidato mais apagado procure capitalizar a imagem e as medidas positivas de um Governo com aceitação popular. No entanto, essa colagem traz o bom e o mau, ou seja, corre bem quando há uma revolução nos passes sociais e corre mal quando há um familygate.

A coisa piora se as mensagens também não estão alinhadas. Uma coisa é quando falamos numa linguagem concordante com a perceção que os eleitores têm do governo. Outra coisa diferente é quando tentamos passar uma mensagem que está ao nível das piores campanhas do adversário. 


sexta-feira, 15 de março de 2019

ANTES TIVESSE IDO PARA PARIS


O Semanário Sol, publicita que «Passos Coelho foi aumentado em 800 euros pelo ISCSP depois de passar a "tempo integral"».

A respeito desta NÃO NOTÍCIA, vamos por partes:

A legislação determina que os professores convidados são recrutados, por convite, de entre individualidades, nacionais ou estrangeiras, cuja reconhecida competência científica, pedagógica e ou profissional na área ou áreas disciplinares em causa esteja comprovada curricularmente. É o caso de Pedro Passos Coelho nas áreas de administração pública e ciência política.

Pedro Passos Coelho não é catedrático. Pois bem, vejamos os exemplos de Mário Soares, Luís Amado, Paulo Macedo, Vítor Constâncio ou Guilherme d’Oliveira Martins que não sendo doutorados foram convidados para o cargo de professor catedrático convidado.

O regime de contratação de professores convidados serve precisamente para dar liberdade à academia de ir procurar no mundo não-académico determinadas experiencias que a Cátedra não detém ou não consegue por outra via assegurar.

Por fim a questão remuneratória. Pedro Passos Coelho passou do regime de “tempo parcial” para “tempo integral”, o que implicou como é obvio a respetiva mudança salarial, representada num aumento de 800 euros.

Resumindo e concluindo, antes Pedro Passos Coelho tivesse ido para Paris a expensas dos amigos e estes escândalos não sucediam!!!
 
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O Parlamento português já passa atestados

Esta semana o Parlamento decidiu alterar o sistema de registo de presenças. Esta necessidade surgiu no seguimento de várias situações de falsas presenças reportados na comunicação social.

Há anos que o Parlamento tem institucionalizado um sistema de registo de presenças falsas, por parte dos deputados.

E há várias justificações:


  1. O argumento funcional - a presença de todos é muitas vezes essencial para garantir o número mínimo de deputados, necessário para aprovar ou chumbar uma proposta; 
  2. O argumento financeiro - as senhas de presença representam um acréscimo significativo ao ordenado do Deputado.
  3. O argumento parvo - de que os Deputados não devem ter faltas pois são eleitos (apesar de não ser por eleição unipessoal) e por integrarem um órgão de soberania.

Todos os argumentos têm como fundo o facto do trabalho parlamentar ser muito mais que a presença nas Sessões do Parlamento, e este facto parece-me incontestável. Mas, isto não pode servir de argumento para não se cumprir a Lei.

Tanto o argumento funcional como o financeiro não fazem sentido, pois no primeiro o problema está na responsabilidade, ou falta dela, de cada deputado e na necessidade de se repensar a forma como se vota no parlamento e no cuidado a ter na escolha das listas de cada partido. O segundo argumento cai num campo ainda mais perverso, o da fraude para se obter um benefício financeiro do Estado.

O argumento parvo na realidade é tão parvo como os outros dois pois indicia que a Lei está mal feita e que deveria ser alterada. E o Parlamento é o sítio certo para se fazer essa alteração.

Enquanto a Lei existir como está, a permitir a marcação de faltas aos deputados e a permitir que os partidos votem em grupo, os Deputados não podem atuar de outra forma que não seja a de cumprir a Lei.

Qualquer que seja o argumento, aquilo que o Parlamento está  a transmitir, quando permite a institucionalização da fraude na marcação de presenças, é que a Lei não é para cumprir e que pode ser contornada à medida de cada um. O Parlamento transmite a ideia de que um deputado não tem de dar o exemplo e que não precisa ser responsabilizado.

Enquanto a Lei existir na forma como existe, o Parlamento só tem uma saída possível, a introdução de um sistema que garanta que é realmente o deputado a registar-se. E a única forma de o conseguir, sem cair no descrédito, é por intermédio de um processo biométrico. Qualquer outra solução, como a que agora propõem, a de acrescentar mais um popup e mais um click é passar um atestado de estupidez ao eleitor, conseguindo ao mesmo tempo transferir mais votos para os partidos dos extremos e do populismo.

Na forma como o parlamento está a propor o registo de deputados até a sra. da limpeza pode registar a presença de um deputado.



2019 o ano do futuro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Novo Paradigma de Liderança

Portugal entre a Crise e a Pneumonia

A malta nunca está contente


Olhando para Lisboa com alguma memória, é difícil não concordar que foi o alojamento local que levou à recuperação do edificado, que tantos anos nos envergonhou. Por isso, fico perplexo quando dou por mim a ouvir alguma malta criticar o alojamento local e o turismo. 

O argumento obviamente que é o aumento do preço das casas, mas eu também me lembro daqueles que criticavam os prédios a cair de podre e a necessidade de forçar os senhorios a recuperar esses prédios. 

A malta nunca está contente.  




 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Todas as decisões têm um lado positivo...

voto favorável do PSD à moção de censura do CDS é uma opção boa para todos os partidos com assento parlamentar: 

O PSD - Demonstra coerência e bom senso, pois não tem complexos em alinhar com o CDS naquilo que os une. Não fica com o ónus de ter perpetuado o Governo e dá início à sua campanha eleitoral. Por outro lado, ajuda a colar o PS à esquerda, polarizando o voto em ano de eleições, facto que no limite poderá ajudar aquele que continua a ser o maior partido da oposição;

O CDS - Marca a agenda e força o maior partido da oposição a alinhar. Deixa claro que a Assunção também pode vir a conseguir uma coligação;

O PS - Os votos favoráveis do PSD e do CDS vão forçar o BE e a CDU a demonstrar o seu apoio à geringonça. Em ano de eleições, esta demonstração de apoio enfraquece o BE e a CDU enquanto partidos à esquerda do PS, o que pode reforçar o sentido de voto no PS.  

A CDU - Apesar de entalado, pode dissociar-se dos Verdes (que já anunciou votar contra a moção) e apostar na diferenciação do PCP, enfraquecendo o BE e assumindo-se como a verdadeira opção à esquerda do PS. 

O BE - Assume o apoio ao Governo e deixa claro o quanto merece integrar o próximo governo.

O PAN - talvez consiga trocar o seu voto por alguma alteração legislativa.

O PSD+CDS representam 107 votos, o PS precisa do BE+PEV para chegar a este valor, bastando o voto do PAN para chumbar a moção. O PCP pode por isso abster-se.








quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2019…O Futuro começa hoje!



O futuro é uma das palavras mais comuns na mensagem política que transporta uma imensa carga positiva. É em nome dele que as batalhas políticas se travam, é com os olhos postos nele que são utilizadas as palavras mais belas do vocabulário político. Palavras como horizonte, progresso, conquista, geração, confiança, ideal e esperança.

2019 tem de ser o regresso ao caminho para um futuro melhor e por isso é fundamental que os políticos abdiquem, de referir no seu discurso a ideia de um futuro sem esperança, por mais que a ação do governo os possa para aí remeter.

2018 trouxe uma governação da “geringonça” com show off permanente, que visava agradar a todos. No entanto não conseguiu satisfazer os interesses das muitas corporações que foram sendo inundadas de promessas mil, nem dos portugueses em geral.

O roubo de Tancos; os incêndios em Monchique; falhas graves na saúde; Borba; queda do Helicóptero do INEM; falhas graves na segurança; greves na saúde, educação, justiça, transportes, Policias, Finanças, Bombeiros Voluntários; a carga Fiscal mais alta de sempre e a dívida pública em máximos históricos, são muitos dos sinais de um caminho errado e sem futuro.

Temos um País em “cruise control” à espera das eleições, sem criar alarido o que revela um futuro com pouca esperança para uma democracia que precisa de alternativas credíveis. Neste campo 2018 revelou alguma timidez, mas 2019 promete que o receio do suposto conflito, que advém da defesa de posições e projetos diferentes, seja definitivamente posto de lado.

Negar a natureza conflitual da política é negar a sua essência. Esta negação transforma a unanimidade numa hipotética virtude e num dogma real. 2019 tem de ser o ano em que romper consensos e apresentar projetos alternativos, se torne um imperativo nacional, mas sempre com o propósito de conquistar a governabilidade porque primeiro está Portugal.

Este imperativo define-se assumindo a diferença entre a maneira como se faz política e aquela como se deveria fazer. Quem não fizer o que é “costume” para, em contraponto, fazer o que “tem de ser feito”, ajudará seguramente Portugal a derrubar as barreiras do imobilismo, da estagnação e da resignação. Mas é preciso coragem e essa está ao alcance de poucos.

As rupturas e os conflitos corajosos têm sempre riscos associados. Porém os portugueses esperam que alguns políticos possam recorrer ao sábio legado milenar do general chinês Sun Tzu, que defendia no seu clássico, A Arte da Guerra, que, “A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço.”

Em 2018 o governo de António Costa conseguiu, de forma hábil, um conjunto de condições que lhe asseguraram a governabilidade. A solidez interna à conta de promessas adiadas consecutivamente; o voto de confiança dos partidos à sua esquerda que fingem nada saber, mas em tudo participam; e o apoio do Presidente da República em nome da estabilidade que é sua responsabilidade. Sem este cenário a ação política da “geringonça” estaria condenada ao fracasso.

O ano de 2019 tem de ser o ano onde a alternativa procure motivar, estimular, e dar esperança aos portugueses. Numa estratégia assente na expressão imortalizada pelo nosso Rei D. João II (o Príncipe Perfeito), que referiu que, “há tempos de usar o olhar da coruja e tempos de voar como o falcão”. 2019 deve ser o ano de voar como falcão.

É crucial assumir de vez a eficácia da “Realpolitik”, que significa a adequação da política à realidade. Este novo ano é o do futuro e esperança, que valorizará o pragmatismo estratégico dos líderes políticos, mais preocupados com a eficácia da sua nobre ação – que coloca primeiro Portugal - do que com o cumprimento de directrizes partidárias ou de objetivos de médio e longo prazo que visam, exclusivamente, a sobrevivência política.

Em 2019 mobilizar energias, motivar vontades, fazer ruturas nuns momentos e revelar dotes conciliadores noutros, será a grande prova dos líderes políticos com futuro.

Para António Costa os indicadores têm sido positivos, mas isso não é necessariamente bom para o futuro de Portugal. António Costa move-se no terreno dos que visam, exclusivamente, a sua sobrevivência política e isso nem sempre é compatível com o interesse de Portugal.
Mas por mais indicadores positivos que se queiram injetar nunca é demais lembrar que as eleições não se ganham nem se perdem por antecipação, ao contrário do que alguns comentadores e jornalistas tendem a vaticinar, proclamando a inevitabilidade de uma vitória do Partido Socialista.

Não é aceitável que se trate o eleitorado com essa presunção e desdém, mesmo se admitirmos que a oposição se encontra numa posição difícil, o que é uma realidade subjetiva. Em 2015 o eleitorado deu uma lição de Democracia aos fazedores de opinião, no entanto alterou-se para sempre o panorama político e as regras parlamentares. Esperemos agora que 2019 possa retificar o erro histórico e recoloque Portugal no caminho do Futuro.

Como ironizava o escritor norte-americano, Ambrose Bierce, “o futuro é o único reduto do tempo em que tudo corre bem”, e para Portugal o Futuro começa hoje!

Artigo publicado on-line no Jornal Público:

https://www.publico.pt/2019/01/03/politica/opiniao/2019-futuro-comeca-hoje-1856439



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Globalização 4.0...Delegar o Futuro



À medida que a revolução digital transforma as indústrias, e os desafios geopolíticos em curso se tornam mais complexos, parece que estamos à espera de um “Click” inevitável para incitar a maior onda de integração global desde a queda do muro de Berlim.

A "globalização 4.0" poderia, como as ondas precedentes da globalização, ter resultados mistos que vão desde o crescimento económico e redução da pobreza, por um lado, até às crises políticas e maior desigualdade de rendimentos, por outro. Hoje em dia, os resultados de uma integração global são particularmente incertos.

As divisões políticas estão hoje em máximos nunca vistos. A ameaça do terrorismo global continua. Instituições que unem países podem estar a desmoronar-se e temos como exemplo disso o Brexit. 

Para a geração dos “Millennials”, as oportunidades económicas parecem incertas. Esta geração que nasceu nos anos 80 acredita que talvez não tenha as habilidades necessárias para os empregos do futuro e vê uma série de problemas no horizonte. Aliás esta geração acredita que se não existir uma preparação focada na "Globalização 4.0", corre-se o risco de vermos esses problemas do presente agravarem-se.

Sendo eu da geração de 70, acredito no poder transformador e positivo daquilo a que chamamos da “Globalização 4.0”. No entanto isto só poderá acontecer se a minha geração e as anteriores - que ainda dominam o status quo - permitirem que os “Millennials” possam moldar essa globalização em termos de equidade, igualdade e sustentabilidade.

De acordo com uma pesquisa de 2017 da Global Shapers Community, 51% das pessoas com menos de 30 anos acreditam que a igualdade de acesso às oportunidades, para todos, é a coisa mais importante para uma sociedade livre. Chegam mesmo a considerar que é mais importante que a segurança no emprego.Temos de dar importância a esta informação.

A última onda de globalização na década de 1990 tirou alguns países da pobreza e isso é um facto. No entanto, a desigualdade de rendimentos aumentou nesses mesmos países e também nas grandes economias como a dos EUA e da China. Outros países com mão-de-obra barata procuram agora antecipar os benefícios da próxima onda de globalização, mas existe o risco de se estabelecer uma base que impulsione a desigualdade entre gerações em vez de promover a equidade.

Portanto para que se possa ter uma “Globalização 4.0” de sucesso, é fundamental termos um crescimento inclusivo e equitativo entre e dentro dos países. Isto pode parecer uma tarefa difícil, no entanto é possível se houver uma colaboração inter-geracional.

Para prepararmos o amanhã temos de concentrar esforços em algumas prioridades práticas. Garantir o sucesso não é fácil mas podemos definir 5 prioridades para ajudar a atingir o objectivo da “Globalização 4.0”:

1. Investir no fortalecimento das economias locais e regionais:

Maior integração global não significa que apenas as cidades globais saiam beneficiadas. Devemos construir pró-ativamente sistemas locais e regionais resilientes que possam participar na próxima onda de globalização, garantindo que as regiões tenham a combinação certa de educação, emprego e infraestrutura para estimular a economia local e regional, criando e mantendo os empregos.

2. Inovar nas instituições de educação e combater a ausência de formação, estimulando, em paralelo, as habilidades do individuo:

Em 2022, pelo menos 54% dos trabalhadores em todo o mundo precisarão de mais e mais habilidades, segundo dados do Fórum Económico Mundial. Não precisamos apenas de apoiar as pessoas na obtenção do treino e formação necessários para garantir os seus empregos nos próximos cinco anos, mas precisamos sim, de preparar jovens estudantes com as habilidades para se adaptarem aos tipos de trabalho de que teremos necessidade nos próximos 20 anos.

3. Concentrar apoios às populações mais vulneráveis:

Os efeitos negativos da globalização terão um impacto desproporcional em algumas populações. As instituições globais, regionais e locais precisam de promover estratégias universais e direcionadas para melhorar os resultados, de forma transversal, privilegiando as populações mais vulneráveis de forma a reduzir as clivagens existentes.

4. Promover políticas para travar as mudanças climáticas galopantes:

As mudanças climáticas não foram tão iminentes durante as ondas precedentes da globalização. No entanto, no futuro, vão ter um impacto desproporcional em regiões e populações vulneráveis. Os desafios da “Globalização 4.0” serão agravados se os recursos que poderiam ser destinados ao fortalecimento das economias locais e da educação tiverem que ser desviados para mitigar os custos da mudança climática. Quase 50% das pessoas com menos de 30 anos acreditam que a mudança climática é a questão global mais urgente. Há que dar atenção a esta crença e garantir que se lideram políticas com preocupações ambientais de base.

5. Construir e reforçar um movimento transversal, focado na equidade:

O avanço das prioridades para o sucesso da nova vaga de globalização e a criação de maior equidade exigirão um movimento global mais coordenado do que existe hoje. Hoje, para além dos estados e das entidades públicas, muitas empresas, ONGs, grupos de pressão, académicos e até indivíduos têm um alcance global sem precedentes e capacidade de influenciar resultados equitativos. A geração dos “Millennials”, provavelmente, recompensará as empresas que participam desse movimento capaz de influenciar o futuro, preferindo trabalhar e comprar em empresas que estejam a gerar bem social ou que estejam a trabalhar para um futuro que garanta isso mesmo.

O alerta global deve ser dado aos países que não atuam nas prioridades dum “Globalização 4.0”. Estes países correm o risco de perder a próxima onda de globalização e ficar definitivamente para trás. Acredito que para além da minha geração, a geração dos “Millennials” está pronta para liderar esta revolução silenciosa que tem na sua génese o objetivo do crescimento equitativo. 

Mesmo que pareça uma utopia para muitos, é claro para outros tantos que o iminente "Click" que dá início à “Globalização 4.0” será o momento decisivo da nossa geração. Delegando garantimos o futuro dos nossos filhos e deixamos nas mãos da geração seguinte um futuro com bases ainda mais sólidas e sustentáveis que a da nossa fantástica geração dos 70.


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terça-feira, 30 de outubro de 2018

E o medo decidiu

A insegurança, o descrédito no PT e o desespero prevaleceram. A insegurança, com uns pozinhos de reação ao ridículo de um candidato ir à prisão receber instruções de um condenado por corrupção marcou o fim da era Lula.

Aparentemente, o Brasil preferiu o risco de perder Liberdade e de criar um estado securitário a manter uma taxa de homicídio 30 vezes superiores aos números europeus

Quando falamos do Brasil temos de ter a noção que estamos a falar de outro mundo. No Brasil uma pessoa é morta a cada 9 minutos. Em Portugal, quando saímos de casa de manhã para ir trabalhar ligamos a app para ver onde há trânsito, no Brasil ligam a app para saber onde há tiroteio.  Isto terá sido o principal motivo para eleitores que em tempos votaram Lula, ou Aécio, agora terem votado em massa no Bolsonaro. 

Para facilitar um pouco, nesta segunda volta a pergunta que foi feita aos eleitores brasileiros não foi se preferiam viver em liberdade, ou se preferiam viver em ditadura. A pergunta foi se preferiam ser governados por um Vale e Azevedo, num país onde nem em casa estás seguro, ou se preferiam mudar para um ex-militar, correndo o risco de perder uma Liberdade que para a maioria já não existe.

Ao contrário do que a larga maioria dos analistas tem assumido, tenho muitas dúvidas que o problema da corrupção tenha tido um papel preponderante na decisão do voto, tenho dúvidas se não terá sido mais do que um racional para justificar o voto num candidato que se deixa fotografar com uma metralhadora na mão. Até porque o próprio Bolsonaro também é alvo de suspeitas, aliás que os seus adversários exploraram sem qualquer resultado prático. 


(foto retirada daqui)

O Presidente Eleito da República Brasileira é Jair Bolsonaro, foi eleito democraticamente. Qualquer repúdio ao ato em si, ao processo eleitoral, é absurdo por natureza, pelo menos para qualquer instituição democrática, defensora da Liberdade. No entanto, observar o conservadorismo dogmático e o sectarismo chegarem ao poder é preocupante. Uma preocupação que deve ir para além da birra daqueles que têm sido coniventes com os falhanços governativos nas grandes democracias mundiais. 

A questão que deveriamos estar a colocar neste momento é como evitar que o mesmo aconteça na Europa. Repudiar atos democráticos só ajuda a extremar posições, torna-nos parte do problema e não da solução.

Neste momento, depois de uma escolha legítima e democrática resta-nos desejar que o povo Brasileiro consiga unir-se, desejar que as instituições que zelam pela democracia brasileira funcionem, e que o Presidente e o seu Vice-Presidente (Jair Bolsonaro e  Hamilton Mourão) demonstrem que tudo o que se tem sido dito sobre eles não passe de uma narrativa, prevalecendo a Tolerância e a Liberdade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A quarta "Era" da comunicação


Em tempos passados, a forma de comunicação política era direta e fazia-se através de reuniões públicas em salões de igrejas, cinemas, salões de baile e campanhas políticas de porta-a-porta. Nos dias de hoje, estes métodos são cada vez menos comuns e limitados, principalmente a países onde a tecnologia não permite que a mensagem seja enviada diretamente para casa das pessoas.

Estamos perante uma evolução da comunicação e nesse sentido, já em 1999, os autores Blumler e Kavanaugh distinguiam a evolução da comunicação política em três eras distintas. 

A primeira era, ocorreu antes do início da televisão, quando os principais canais de comunicação eram instituições políticas fortes e estáveis, como os partidos políticos tradicionais ligados aos regimes.

A segunda era, foi aquela onde as mensagens passaram a ser transmitidas através dos meios de comunicação de massa, o que fez com que a procura por profissionais de comunicação tenha aumentado uma vez que estando estes profissionais inseridos no meio, poderiam explorar melhor as suas vantagens.

Na terceira era, ainda emergente, a componente essencial distinguida foi a existência dos média e todos os seus canais de comunicação. Nesta era, a profissionalização da comunicação política torna-se cada vez mais evidente e passa a ser um fator essencial de sucesso. Os seus melhores profissionais colocam como prioridade a orientação dos agentes políticos, para que possam comunicar através da multiplicidade de canais, cada um deles com um conjunto de necessidades e formatos específicos.

É hoje claro que estamos na terceira era da comunicação política e esta tornou-se uma atividade voltada para as grandes massas usando os meios de comunicação (jornais, televisões e redes sociais). Esta mudança de paradigma permitiu que os média não só escolham o que transmitir como notícia, mas também escolham a maneira como essa notícia deve chegar aos respetivos grupos que compõem a sociedade.

A comunicação política, hoje, deixou de ser uma atividade direta, pessoal, face a face, para ser conduzida, indiretamente, através dos órgãos de comunicação social e dos vários canais de comunicação. Neste caso só as redes sociais podem fugir deste controlo dos órgãos de comunicação social.

Embora estas mudanças possam ter algumas perversões - e é fatual que têm - não deixam de representar um avanço enorme para a comunicação política, conseguindo desta forma, um meio para chegar o mais longe possível.

Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação, a mensagem política chega a cada vez mais eleitores e isso significa que a evolução tecnológica ajudou, e ajuda a influenciar mais pessoas e mais instituições.

Se tivermos em conta a proliferação da internet nas últimas décadas temos de reconhecer que esta representou uma verdadeira revolução para a democracia global. Hoje cada vez mais cidadãos têm acesso à informação política o que, de certa forma, permite dar-lhes as ferramentas e conhecimentos para que as escolhas que possam vir a fazer sejam cada vez mais conscientes e sustentadas.

Além disso cada cidadão com acesso à comunicação passa a ser um meio de difusão da mensagem política, o que permite que esta mesma mensagem atinja todos os cantos do mundo.

Mas nesta era da abundância dos média, a comunicação política tem vindo a ser reformulada por tendências que fogem da origem da ciência política e da comunicação simples.

O aumento das pressões competitivas dos órgãos de comunicação social; o populismo anti-elitista e tão “acarinhado” por alguns jornalistas de uma pertença esquerda; o sebastianismo defendido por jornalistas de uma pertença direita que desvaloriza as opiniões contrárias; o experimentalismo e ambição (desmedida) de alguns profissionais da comunicação política; a avidez selvagem de algumas agências de comunicação; o jornalismo tendencioso (que recorre a falsas fontes); e por fim a mudança dos eleitores na abordagem às mensagens políticas, são fatores que obrigam a repensar a estratégia futura da comunicação política.

Surge então, dentro da terceira era emergente da comunicação política, a necessidade de procurar um meio eficaz que não permita que sejam os média a decidir o que se comunica ou não, ao nível da mensagem política, mas sim os agentes políticos em conjunto com os responsáveis da comunicação social.

Compete a estes responsáveis construir os canais para termos uma comunicação política que se quer sem ruído, sem filtros prévios, esclarecedora e acima de tudo, com a capacidade de chegar aos seus verdadeiros destinatários que são os eleitores.

O desafio é criar uma quarta era da comunicação política onde os agentes políticos e os representantes dos média possam, em conjunto, contribuir de forma responsável para uma sociedade mais informada, mais esclarecida e por consequência mais democrática.


Brasil. Entre o medo de manter o assalto do PT e o medo de uma nova ditadura.

O Brasil prepara-se para ir a votos, dia 28 de outubro, na segunda volta das eleições presidenciais. 

Na primeira volta, Bolsonaro saiu vencedor com 46% dos votos, mas o PT de Lula e Dilma, encabeçado pelo Haddad, conseguiu forçar a segunda volta, atingindo os 29% nas urnas.

Com uma campanha completamente polarizada entre Bolsonaro e Haddad, os grandes derrotados foram o atual Presidente Temer, que viu a maioria dos seus ministros derrotados nas urnas, o PSDB que ficou fora da segunda volta, pela primeira vez desde 94, a Marina, que se ficou por 1% dos votos, a Dilma, que não conseguiu ser eleita senadora, e o "status quo", os atuais senadores, pois 3 em cada 4 senadores que tentaram a reeleição não conseguiram ser reeleitos

Depois de todos os incidentes da primeira volta, vai ser interessante perceber como irá decorrer esta segunda parte da campanha. Uma coisa é certa, o mote está lançado e mais uma vez será o medo a definir o sentido do voto. O medo da insegurança e de se manter o "assalto" do PT no governo, versus o medo de uma nova ditadura

sábado, 6 de outubro de 2018

A última oportunidade

Hoje, o paradigma do líder político assenta em bases que são definidas no seio dos próprios partidos políticos e nas ideias defendidas por um status quo, uma pequena oligarquia, que procura não mudar nada. Já em 2016 escrevi sobre este tema e objetivamente pouco ou nada mudou.

Existem vários fatores que têm provocado o afastamento dos cidadãos da participação política, entre os quais o facto de os líderes, nos últimos anos, desiludirem os seus eleitores.  E isto tem levado cada vez maior número de pessoas a questionar os atuais líderes, a sua ação e o próprio futuro de Portugal.

Começa a ser óbvio que a necessidade de encontrar um novo paradigma de liderança é um imperativo nacional. Esta deve ser, aliás, uma discussão e um debate centrado na verdadeira necessidade de Portugal enquanto País periférico e dependente no quadro da União Europeia.

A política faz-se para as pessoas e com as pessoas, e um qualquer líder que despreze esta verdade fracassará.

Isto leva-nos à chamada “pergunta de um milhão de Euros”. Que líder queremos para o futuro? Será aquele que faz as perguntas certas ou aquele que nos oferece as respostas certas? Será um coordenador ou um catalisador? Será o homem do leme ou o navegador que estabelece a direção? Um futuro líder deverá ser um mestre na arquitetura financeira, económica ou social? Será um político? Um tecnocrata? Um gestor e um empreendedor de sucesso? Alguém com total independência do status quo? Ou um pouco de tudo isto?

Provavelmente é um líder com um pouco disto tudo. Alguém que desafie a “corte” de Lisboa (os interesses instalados)…alguém que possa agir em função de convicções (sem utopias e eleitoralismos), alguém que comunique para as pessoas e não para os média (mesmo que seja politicamente incorreto)…alguém que seja visto pelos portugueses como intrinsecamente sério (qualidade sine qua non para liderar)…alguém que corra como um Rio até atingir o Mar (que ultrapassa todos os obstáculos).

Assumamos que se fala do líder do PSD, afinal enquadra-se no perfil. Tendo em conta este cenário e sabendo que hoje é consensual que para ser um bom líder não basta ser um bom político, Rui Rio parece estar confortável com os desafios de um novo tempo onde a globalização é hoje uma realidade e onde os mercados comandam e definem as circunstâncias.

Os modelos de governação e os líderes do presente e do futuro têm de se adaptar aos novos tempos e Rio, apesar do ruído, está a trilhar esse caminho que talvez nunca tenha sido desbravado.

Trata-se de um caminho que põe em causa a estratégia das muitas das lideranças passadas que colocaram como prioridade a prática de técnicas de sobrevivência, em vez de darem prioridade ao desenvolvimento e ao sucesso do País.

Rui Rio parece querer fazer diferente e entendeu a diferença entre a sobrevivência política e o sucesso político. Por isso parece estar já a adaptar-se às novas realidades inovando na forma de agir e recriando o modelo de liderança assente nas bases corretas, de acordo com os interesses dos portugueses.

A ser assim, Rui Rio não só sobreviverá, como terá o sucesso associado à forma eficaz de gestão que defende para o País e à força das suas convicções. Mesmo que vozes residuais lhe vaticinem a morte política prematura.

Mas o líder do PSD não deve ceder, aliás deve procurar o sucesso de Portugal evitando a miopia que apenas vê a sobrevivência da sua liderança. Rui Rio deve abraçar uma estratégia de longo prazo, assente num programa verdadeiramente social-democrata, onde, sem tabus e sem dogmas, devem ser defendidos pactos de regime que garantam a estabilidade que perdurará no tempo garantindo um futuro de sucesso para Portugal.

Ninguém procura um D. Sebastião, mas sim uma alternativa ao estilo “ilusionista” e pouco confiável de António Costa. Os portugueses não querem um líder que diga hoje (5 vezes) que o Infarmed vai para o Porto e afinal amanhã já não vai. Os portugueses não querem um líder que enche a boca com a palavra dada, mas que nunca lhes dá uma palavra honrada.

Os portugueses querem um líder que seja motivador e que possa renovar a confiança dos cidadãos, cada vez mais afastados. Objetivamente procura-se “um de nós”, que transmita confiança, seriedade e acima de tudo esperança. Os portugueses procuram um líder, em quem possam depositar o futuro dos seus filhos e dos seus netos.

Rui Rio, como líder do maior partido com assento parlamentar e candidato a primeiro-ministro, tem a responsabilidade de criar o futuro e de inspirar os líderes de amanhã. Hoje é o tempo certo para resistir aos obstáculos e ter a coragem de implementar novas soluções que rompam com o status quo.

O líder do PSD tem a oportunidade de poder mudar uma receita falhada com mais de 40 anos de vida e os portugueses não lhe iriam perdoar que a transformasse numa oportunidade perdida…isso sim seria imperdoável.

As lideranças que defendem genuinamente as suas causas e que procuram o sucesso e bem-estar do seu povo, são as únicas capazes de mudar e de garantir que Portugal, ou qualquer outro País, tem Futuro.



Artigo publicado a 06/10/2018, na edição online do jornal Público:

https://www.publico.pt/2018/10/06/politica/opiniao/a-ultima-oportunidade-1846007


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A substância da Comunicação Política




A Comunicação Política é uma área em plena expansão quer do ponto de vista da reflexão teórica, quer do ponto de vista da sua prática nos mais variados domínios. Trata-se de uma temática central no panorama político atual e que tem de ser executada tendo em conta a essência da prática política e os princípios mais básicos da comunicação.

Na essência da prática política devemos apostar numa estratégia de comunicação inovadora e eficaz que responda e desmistifique a descrença que existe atualmente para com a classe política e que tem afastado os eleitores de participar.  

Nesta matéria para a comunicação ter sucesso é fundamental conhecer a "praxis" política, os comportamentos dos partidos políticos e dos aparelhos, as dinâmicas que existem nas relações inter-partidos e acima de tudo a forma como se relacionam com a comunicação social. Este é um conhecimento essencial para obter uma comunicação política eficaz. 

Relativamente aos princípios básicos de comunicação eles dizem-nos que quanto mais informação, quanto melhor o conhecimento acerca da governação e da liderança, dos programas eleitorais e do estado do país, mais se afirma a Democracia. 

Ora então poderíamos dizer que mais informação é a garantia de eleitorado esclarecido. Mas neste campo não é a quantidade da informação que importa, mas sim a qualidade e a clareza dessa informação.

Para o fornecimento dessa informação clara e de qualidade muito contribuem a grande maioria dos profissionais - da área da Ciência Política, da Comunicação e do marketing - que suportam a comunicação política recolhendo e interpretando informação e comunicando, da forma mais positiva possível, as decisões que são tomadas pelos líderes com quem colaboram.

Hoje a arena política é um meio que exige cada vez mais profissionalismo, técnica, rigor científico e nestas circunstâncias a comunicação política pressupõe planeamento, previsão e controlo. O que o líder político diz e faz e o modo como ele se apresenta, tem de ser acompanhado por uma mensagem política profissionalmente estabelecida e orientada para ser eficaz.

Nos dias que correm há cada vez menos espaço para o amadorismo, para o recurso ao improviso e para a falsa espontaneidade que faz com que muitos atores políticos prometam, sob pressão mediática, o que não podem fazer.

Importa cada vez mais controlar o acaso e conseguir antecipar e prever os impactos da comunicação política. O recurso a sondagens, pesquisas e análises rigorosas de matérias concretas permitem a antevisão e a intervenção que leva uma comunicação eficaz.

Mas na comunicação política - que se pretende sempre de confiança - nenhuma estratégia, por mais inovadora que seja, prevalece se no essencial um dirigente político não tiver ideias próprias, objectivos claros, convicções sólidas, um perfil de seriedade e acima de tudo valores.

Resta saber se os partidos políticos portugueses e os órgãos de comunicação social já compreenderam isso e se querem, em conjunto, renovar a confiança com os eleitores e os telespectadores para reduzir a falta de informação credível e acima de tudo a abstenção.


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