sexta-feira, 23 de agosto de 2019

PSD - REQUISITEM-SE OS SERVIÇOS MÍNIMOS


Com o aproximar das eleições legislativas para outubro próximo, o que se vê da parte do maior partido da oposição, é uma total ausência de combate político. Não se compreende onde assenta a estratégia da atual direção do PSD, com sucessivas ausências aos mais importantes temas em discussão e em debate na nossa sociedade. Apenas fugazmente vai aparecendo dando alguns sinais de vida. O PSD que se quer apresentar ao povo Português como alternativa ao atual Governo Socialista, está há muito em greve de oposição, não transmitindo ao seu eleitorado, de uma forma convincente, o que realmente são as suas propostas e ideias para o país. Se na política houvesse serviços mínimos obrigatórios, o PSD não estaria no declínio que aparenta.
 


 

 

 


 

 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Américo, Belmiro e Alexandre…3 referências


Entre o dia 13 de julho de 2017 e o dia 16 de agosto de 2019, Portugal perdeu três das maiores referências do sucesso “made in Portugal”, nomeadamente Américo Amorim (Corticeira Amorim), Belmiro de Azevedo (Sonae) e Alexandre Soares dos Santos (Pingo Doce).

É hoje consensual que estes empresários marcaram uma época de evolução económica em Portugal e os seus projetos empresariais, para além de motores da economia nacional, estão entre os que mais empregos geraram nas últimas décadas.

Mas, como já havíamos assistido em 2017, a partida destes empreendedores, que muito contribuíram para o desenvolvimento do País, revelou a intolerância de alguns dirigentes políticos dos dois principais parceiros do PS na geringonça, Bloco de Esquerda e PCP.

Estes partidos, indignados, levantaram a voz e revelaram-se como a “extrema esquerda”, deixando cair a máscara que os transforma (de quando em vez) na “esquerda mais à esquerda do PS”.

Atacaram de forma vil, torpe e cobarde a honra, reputação e percurso profissional destes homens, precisamente no momento em que se deve privilegiar o recato, o silêncio e o respeito pela memória de quem partiu.

Num exercício de demagogia e populismo, desrespeitaram as suas famílias no momento mais difícil e revelaram ausência de espírito democrático, sentido de estado, tolerância e respeito.

Dizia o Economista John Galbraith que: “Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.”, portanto convém aqui avivar memórias.

Estes que criticam de forma intolerante Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo e Américo Amorim, são os mesmos que, por ausência seletiva de memória, omitem as visitas, em 1998 e 2000, do ditador Cubano, Fidel Castro, recebido com honras de estado por António Guterres.

Falamos dos mesmos elementos da esquerda parlamentar, que aprovou um voto de pesar pela morte de Fidel, em 2016, onde se dizia que era “Uma referência incontornável que consagrou a sua vida aos ideais do progresso social e da paz”.

A mesma esquerda parlamentar que rejeitou os votos de pesar a Américo Amorim e Belmiro de Azevedo, eles sim, grandes referências portuguesas e que foram, nas suas vidas, a antítese do brutal ditador cubano.

Estes intolerantes são os mesmos que, em silêncio, viram José Sócrates receber em 2008, Hugo Chavez, Presidente da Venezuela e um dos mais duros ditadores da América do Sul.

O Bloco de Esquerda, aliás, pela voz da eurodeputada Alda Sousa, defendeu que Chávez promoveu e garantiu uma “luta muito importante contra o imperialismo e contra o FMI”.

Mas a falta de memória vai ainda mais longe, chegando ao ponto de omitirem a excitação de verem o abraço de José Sócrates ao amigo Khadafi, que foi um dos mais cruéis ditadores dos nossos tempos.

Criticam energicamente, homens e mulheres que são referências positivas de Portugal, mas em contrapartida, veneram alguns dos maiores ditadores da história, revelando uma total incoerência, uma enorme desonestidade intelectual e uma atitude extremista só vista em regimes não democráticos.

Apesar de tudo isto devemos ser superiores e defender uma cultura democrática onde não se vencem os que têm opiniões diferentes com intolerância, calando-os, banindo-os ou excluindo-os.

Devemos vencê-los, ouvindo-os e enfrentando-os para assim desmascarar as suas contradições, expor as suas fragilidades, denunciar o seu populismo e arrasar os seus valores desvirtuados.

É este exercício que se pretende fazer neste artigo de opinião desmascarando as contradições destes protagonistas, expondo as suas fragilidades evidentes, denunciando o seu populismo imaturo e confrontando os seus valores claramente desvirtuados.

Não devemos nutrir simpatia por nenhum tipo de extremismo onde alguns tentam reinar, promovendo a intolerância e procurando fazer opinião como se fosse uma verdade absoluta e inquestionável.

Sobre estes três grandes senhores, perguntamos: Terão cometido erros? Com certeza que sim, como todos os homens e mulheres, por vezes, cometem.

No entanto são homens a quem a grande maioria dos portugueses deve, senão admiração, pelo menos, respeito, que alguns - sem qualquer cultura democrática - parecem não querer mostrar. 

Numa democracia madura cabem todos e deve-se cultivar o pluralismo, a tolerância e a auto-estima nacional. 

Em sentido contrário, se desprezarmos os nossos melhores homens e mulheres, cultivaremos uma democracia frágil, assente numa sociedade ignorante e susceptível aos populismos e extremismos políticos e ideológicos.

Artigo publicado na edição on-line do Jornal Público.

Link:

https://www.publico.pt/2019/08/21/politica/opiniao/americo-belmiro-alexandre-tres-referencias-1884065


sexta-feira, 19 de julho de 2019

As Mulheres da Minha Vida






A democrata-cristã alemã Ursula von der Leyen conseguiu, no passado dia 16 de julho, o feito histórico de se tornar a primeira mulher a presidir à Comissão Europeia. Este é mais um passo importante para acabar com a clivagem existente entre homens e mulheres na liderança de topo, em cargos públicos e privados.

O género não deve ser um fator para determinar se uma pessoa pode ou não ser um grande líder. As habilidades de liderança de uma pessoa devem depender de suas forças individuais, traços de personalidade e qualidades pessoais.

No entanto, em muitos casos, as mulheres não são encorajadas a assumir papéis de liderança com a mesma frequência que os seus colegas homens, contribuindo para um desequilíbrio nos cargos de poder.

As mulheres são tão qualificadas quanto os homens e começa a ser cada vez mais difícil entender a disparidade entre cargos de liderança atribuídos a mulheres e homens.

As mulheres nem sempre percebem o quanto estão preparadas para o sucesso em papéis de liderança, mas o seu potencial e as suas habilidades são inegáveis e equivalentes às dos homens (sendo em muitos casos até superiores).

Convivo diariamente com 4 mulheres extraordinárias – a minha mãe, a minha mulher e as minhas duas filhas – e todas elas me fazem ver, de uma maneira ou de outra, que liderar no feminino e em pé de igualdade com o masculino, é o caminho do futuro.

Com base nas mulheres da minha vida reconheço que elas valorizam o equilíbrio entre vida pessoal, escolar e profissional com muito sentido de responsabilidade.

Aliás eu revejo-me inteiramente na citação da empresária Rita Rivotti, que diz que: “Ser mãe é um trabalho bem mais exigente do que gerir uma empresa”, e desta realidade eu não tenho dúvida enquanto Filho, Marido e Pai.

As mulheres são capazes de equilibrar as habilidades de liderança profissional e pessoal tornando mais fácil as abordagens de um pedido pessoal ou até uma pergunta sensível. As mulheres valorizam o desempenho profissional, mas têm sempre a preocupação de garantir, para si e para as suas equipas, o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Entre muitas outras qualidades na liderança, as mulheres concentram-se no trabalho em equipe e demonstram consistentemente paixão, entusiasmo e uma imensa capacidade de servir e ser servidas por outras pessoas.  Tenho a profunda convicção que com as mulheres a partilhar cargos de liderança o ambiente é menos autoritário, mais cooperativo e mais familiar.

As mulheres também são grandes líderes, por outro factor fundamental. São por natureza multifacetadas e têm a capacidade de responder de forma decisiva e rápida a tarefas e problemas simultâneos e diferentes, sendo esta forma de agir uma componente crítica para uma liderança bem-sucedida.

As mulheres também são motivadas por desafios como os homens, mas diferenciam-se na capacidade de se assumirem como as eternas solucionadoras de problemas criativos motivados por obstáculos, quer de natureza familiar, quer de natureza profissional.

Outra qualidade chave no feminino é a forma como lidam com situações de crise. Muitas mulheres, especialmente mães, são cuidadoras inatas e sabem lidar com situações de crise em casa com compaixão, generosidade e muita paciência.

Estes atributos tornam-se muito relevantes quando uma mulher líder é confrontada com situações de crise e são uma mais valia enorme. As mulheres equilibram carreiras e famílias. As mulheres gerem, ajustam e concentram-se em soluções.

As mulheres desafiam as probabilidades quando falamos de liderança. Fazem-no desde sempre, para combater os estigmas sociais impostos que menorizam as mulheres e tentam enfraquecer a figura feminina.

Quando alguém tem mais dificuldades em se impor, é preciso um empurrão extra para chegar ao topo. É por isso que as mulheres que emergem no topo são extraordinariamente fortes e capazes, porque tiveram que lutar muito mais que um homem para lá chegar.

Mas a qualidade que mais me apaixona nas mulheres da minha vida é uma enorme capacidade para sonhar. As mulheres transformam aquilo que poderíamos considerar pouco positivo numa liderança - onde o foco deve ser regra - numa arte de acreditar que os sonhos se tornam realidade.

A capacidade inata de sonhar alto, desafiar suposições e inspirar equipes permite às mulheres traduzir grandes ideias em ação e resultados concretos. Desta forma gerem as suas famílias e as suas carreiras e é desta forma que devemos querer que assumam a liderança do futuro a par dos homens.

A liderança no feminino é fundamental e o equilíbrio entre homens e mulheres deve ser o único caminho a seguir nesta matéria tão sensível. Rejeito radicalismos masculinos e femininos de qualquer ordem, respeitando, no entanto, a diversidade de opiniões.

Assumo-me como um apaixonado pelas mulheres da minha vida e custa-me acreditar que haja algum homem, no seu perfeito juízo, que possa contrariar o benefício único de ter como parceira de uma caminhada, uma Grande Mulher.

Artigo publicado no Jornal i, a 19-07-2019:

https://ionline.sapo.pt/artigo/665551/-as-mulheres-da-minha-vida?seccao=Opiniao_i

terça-feira, 11 de junho de 2019

sexta-feira, 31 de maio de 2019

A crise de representação

Em períodos excepcionais, a política ultrapassa a esfera da gestão dos assuntos públicos e alarga as próprias fronteiras para o espaço de intervenção partidária na própria democracia, enquanto sistema.

O tacticismo e o convencional têm transformado o paradigma da política ao longo dos tempos, pelos piores motivos, e isso revela-se com o crescente afastamento dos eleitores. 

Assistimos, em Portugal e na Europa, a uma degradação da democracia representativa e a sociedade portuguesa reage com uma omissão cívica preocupante.

Nestes novos tempos, a todo o momento, a palavra “Crise” surge nas discussões políticas quando ouvimos falar em crise económica, crise social, crise diplomática, crise de valores, crise de liderança, crise de regime e agora a mais preocupante de todas, a crise de representação.

A política e as crises tornaram-se realidades inseparáveis ao ponto de poder dizer-se que uma pressupõe a outra. Sem crises, num mundo perfeito, a política seria quase dispensável. 

Mas quando falamos de crise de representação abre-se um novo tempo negro, em que não temos noção das consequências futuras.

Hoje vivemos claramente uma crise de representação e o maior exemplo disso foram os cerca de 70% de abstenção nas últimas eleições Europeias. Só 3 em cada 10 portugueses foram votar e não parece que apenas 30% de uma população possa representar os demais 70% alheados.

No momento atual em que, sem que muitos o percebam, vivemos a crise da própria política, temos inevitavelmente de adotar uma estratégia capaz de reanimar, no curto prazo, uma democracia que parece estar, ela sim, condenada á irrelevância.

Têm de se restruturar os Partidos Políticos na sua estrutura, funcionamento, organização e nas formas como comunicam com o eleitorado.

Têm de ser combatidos os vícios do sistema parlamentar definindo critérios objetivos para a ação política, para a participação política e até para a eleição e nomeação para cargos públicos.

Têm de se derrubar as barreiras do sistema político atual onde predomina a desresponsabilização dos seus protagonistas e ausência de fiscalização dos eleitos pelos eleitores.

Têm de ser enfrentados os interesses mais ou menos instalados na administração publica, nos órgãos de poder, nos grupos de pressão e nos grupos de interesses particulares (sindicatos, Associações, Ordens Profissionais, etc).

Mas temos também de aproveitar o momento para refletir, com os protagonistas da opinião publicada e com a comunicação social em geral, sobre a sua responsabilidade neste estado de coisas. Não pode a Comunicação Social - o 4º Poder - assobiar e olhar para o lado como se, também ela, não tivesse responsabilidades no estado da arte.

Este é o momento de todos os protagonistas em Portugal aproveitarem esta “Crise” e ajudar a mudar os paradigmas de comunicação, representação e de formas de participação política para o futuro.

Mecanismos de participação política tradicionais como por exemplo a Petição, a Representação, a Reclamação e a Queixa, pelos poucos resultados que produzem estão completamente obsoletos e são ineficazes nos novos tempos.

Este é momento de colocar a debate as ideias mais disruptivas e ousadas (dentro de critérios de responsabilidade) para poder mudar o futuro da democracia participativa e assim aproximar os cidadãos da política.

Como disse Winston Churchill: “Nunca devemos desperdiçar uma boa crise.” E Churchill sabia muito bem como as enfrentar e potenciar. Temos de o fazer e não embarcar na demagogia fácil de quem não quer mudar nada.

É urgente encontrar consensos alargados que promovam uma reforma eleitoral e política com os olhos postos nos interesses das pessoas. Mas mais ainda é preciso encontrar consensos alargados para as reformas estruturais de um País em que a democracia participativa é elemento vital.

Hoje o vínculo entre os cidadãos e os políticos tem vindo a dar lugar a uma crescente indiferença, desconfiança e afastamento e é exatamente este vínculo de confiança que temos de ver reforçado, sob pena de termos repetidamente 30% de opiniões a comandarem 100% de portugueses.


Este artigo foi Publicado no Jornal Público a 30-05-2019. Segue o link abaixo:

https://www.publico.pt/2019/05/30/politica/opiniao/crise-representacao-1874786

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Chip!



De acordo com o PAN eu pertenço ao agregado familiar do meu yorkshire terrier. 

Eventualmente terei que usar chip, não sei se o seguro cobre a conta do veterinário!


quinta-feira, 23 de maio de 2019

A humilhação do Serviço Nacional de Saúde



O Ricardo Leite resumiu em vídeo a situação da Ala Pediátrica do Hospital de São João no Porto, onde crianças estão a receber o tratamento oncológico em barracões.

Deviam mostrar este vídeo sempre que se falar do Serviço Nacional de Saúde.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O silêncio é um aliado importante em campanha eleitoral

Com um candidato fraco e dado a momentos caricatos, aparentemente, o PS  está a conseguir contrariar a tendência que o PSD parecia impor no início da campanha para as europeias.

Em abril os números das sondagens JN/TSF/Pitagórica previam um empate técnico entre PS e PSD. No entanto, apesar de todas as gaffes, e de se apresentarem com uma campanha à imagem do candidato, os números mais recentes começam a dar um sinal de recuperação de Pedro Marques.

Apesar de estarem a assumir um discurso tradicional de direita, a entrada de António Costa na campanha e a diminuição da presença de Pedro Marques começaram a fazer efeito. 

Depois do esforço de dispersão do eleitorado de direita, com o surgimento de partidos Liberais, como o Aliança e o  Iniciativa Liberal, cuja página de Facebook já foi uma página de apoio a António Costa, a campanha do PS parece estar obcecada com o o eleitor que votou em Pedro Passos Coelho, e apresenta uma linha claramente virada para atributos que o António Costa não conseguiu associar na campanha de 2017. 

O PS tem feito um esforço para trabalhar atributos que normalmente não lhe estão associados, como a responsabilidade, as contas certas e capacidade de execução.  

A responsabilidade: Sinceramente, não sei qual a ideia mais difícil de passar ao eleitor, se a ideia de que o Partido de José Socrates pode ser responsável, ou se a ideia de que Pedro Marques consegue dar mais que indicações de trânsito a António Costa. 


As contas certas: Acho difícil destronar Pedro Passos Coelho nas contas certas.

A ocupação do espaço do PSD não se fica por aqui, a ideia de que o PS representa o partido do trabalho também está a ser testada na campanha de Pedro Marques.

E se isto já não era estranho o suficiente, o PS foi ainda mais longe, foi buscar o slogan à campanha do Fernando Nogueira de 1995.



Mas isto de pouco importa para o resultado eleitoral do PS, o relevante é que o Pedro Marques fale o menos possível e que o António Costa dê a cara.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O spin do Bispo

Quem estuda propaganda sabe que se há instituição que percebe de comunicação é a Igreja.

No dia 20 de abril o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, vem a terreiro assumir em entrevista à TSF que a sua diocese será a primeira a recusar criar uma comissão para lidar com eventuais casos de abuso sexual de menores. Nesta entrevista, chega mesmo a dizer que criar uma comissão para lidar com casos de Pedofilia na Igreja é tão util como criar uma comissão que estude a queda de um meteorito na cidade do Porto. Aparentemente, para este Bispo, a pedofilia na Igreja é uma questão de astronomia, tão rara como a queda de um meteorito.

Feita a borrada, começa a funcionar a máquina de comunicação, no dia seguinte, dia 21 de abril, o mesmo Bispo, D. Manuel Linda, atira para os média um novo tema - O encerramento dos Supermercados ao domingo. Como não havia tempo para entrevista, as declarações foram feitas na Sé da Diocese durante a homilia da Páscoa. 

Não fosse para abafar o primeiro tema, o spin até se poderia perceber à luz de quem não tem família, nem compras para fazer ao fim de semana. Mas pronto, aparentemente é mais importante o que fazemos ao domingo do que a queda de um meteorito.

Hoje foi com espanto que vi o PCP defender o spin do Bispo.

terça-feira, 23 de abril de 2019

A Grândola Vila Morena de António Costa

Em 2015 um dos Comícios do António Costa foi interrompido por um jovem revoltado que defendia que a verdadeira alternativa ao Passos Coelho era por políticos a limpar florestas. Ontem, outro jovem revoltado invade novamente o palco onde António Costa se preparava para discursar para gritar aos sete ventos que não quer mais aviões.

A verdade é que tal como terá havido uma máquina por trás das serenatas do Grândola Vila Morena aos membros do governo do Passos, também me parece coincidência a mais estes marmanjos invadirem comícios com mensagens que mais parecem desculpas para conseguirem os seus 5 minutos de fama.

Veja as diferenças:

2019

  2015

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Qual é o Partido das contas certas?

Hoje saiu uma sondagem que revela que as coisas não estão a correr assim tão bem ao PS. Apesar de se esperar uma vantagem maior da candidatura de Pedro Marques nas eleições europeias, atualmente a distância para o PSD é inferior à margem de erro. Uma sondagem que provavelmente reflete o familygate que assombrou o governo nos últimos tempos.

É perfeitamente compreensível que um candidato mais apagado procure capitalizar a imagem e as medidas positivas de um Governo com aceitação popular. No entanto, essa colagem traz o bom e o mau, ou seja, corre bem quando há uma revolução nos passes sociais e corre mal quando há um familygate.

A coisa piora se as mensagens também não estão alinhadas. Uma coisa é quando falamos numa linguagem concordante com a perceção que os eleitores têm do governo. Outra coisa diferente é quando tentamos passar uma mensagem que está ao nível das piores campanhas do adversário. 


sexta-feira, 15 de março de 2019

ANTES TIVESSE IDO PARA PARIS


O Semanário Sol, publicita que «Passos Coelho foi aumentado em 800 euros pelo ISCSP depois de passar a "tempo integral"».

A respeito desta NÃO NOTÍCIA, vamos por partes:

A legislação determina que os professores convidados são recrutados, por convite, de entre individualidades, nacionais ou estrangeiras, cuja reconhecida competência científica, pedagógica e ou profissional na área ou áreas disciplinares em causa esteja comprovada curricularmente. É o caso de Pedro Passos Coelho nas áreas de administração pública e ciência política.

Pedro Passos Coelho não é catedrático. Pois bem, vejamos os exemplos de Mário Soares, Luís Amado, Paulo Macedo, Vítor Constâncio ou Guilherme d’Oliveira Martins que não sendo doutorados foram convidados para o cargo de professor catedrático convidado.

O regime de contratação de professores convidados serve precisamente para dar liberdade à academia de ir procurar no mundo não-académico determinadas experiencias que a Cátedra não detém ou não consegue por outra via assegurar.

Por fim a questão remuneratória. Pedro Passos Coelho passou do regime de “tempo parcial” para “tempo integral”, o que implicou como é obvio a respetiva mudança salarial, representada num aumento de 800 euros.

Resumindo e concluindo, antes Pedro Passos Coelho tivesse ido para Paris a expensas dos amigos e estes escândalos não sucediam!!!
 
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O Parlamento português já passa atestados

Esta semana o Parlamento decidiu alterar o sistema de registo de presenças. Esta necessidade surgiu no seguimento de várias situações de falsas presenças reportados na comunicação social.

Há anos que o Parlamento tem institucionalizado um sistema de registo de presenças falsas, por parte dos deputados.

E há várias justificações:


  1. O argumento funcional - a presença de todos é muitas vezes essencial para garantir o número mínimo de deputados, necessário para aprovar ou chumbar uma proposta; 
  2. O argumento financeiro - as senhas de presença representam um acréscimo significativo ao ordenado do Deputado.
  3. O argumento parvo - de que os Deputados não devem ter faltas pois são eleitos (apesar de não ser por eleição unipessoal) e por integrarem um órgão de soberania.

Todos os argumentos têm como fundo o facto do trabalho parlamentar ser muito mais que a presença nas Sessões do Parlamento, e este facto parece-me incontestável. Mas, isto não pode servir de argumento para não se cumprir a Lei.

Tanto o argumento funcional como o financeiro não fazem sentido, pois no primeiro o problema está na responsabilidade, ou falta dela, de cada deputado e na necessidade de se repensar a forma como se vota no parlamento e no cuidado a ter na escolha das listas de cada partido. O segundo argumento cai num campo ainda mais perverso, o da fraude para se obter um benefício financeiro do Estado.

O argumento parvo na realidade é tão parvo como os outros dois pois indicia que a Lei está mal feita e que deveria ser alterada. E o Parlamento é o sítio certo para se fazer essa alteração.

Enquanto a Lei existir como está, a permitir a marcação de faltas aos deputados e a permitir que os partidos votem em grupo, os Deputados não podem atuar de outra forma que não seja a de cumprir a Lei.

Qualquer que seja o argumento, aquilo que o Parlamento está  a transmitir, quando permite a institucionalização da fraude na marcação de presenças, é que a Lei não é para cumprir e que pode ser contornada à medida de cada um. O Parlamento transmite a ideia de que um deputado não tem de dar o exemplo e que não precisa ser responsabilizado.

Enquanto a Lei existir na forma como existe, o Parlamento só tem uma saída possível, a introdução de um sistema que garanta que é realmente o deputado a registar-se. E a única forma de o conseguir, sem cair no descrédito, é por intermédio de um processo biométrico. Qualquer outra solução, como a que agora propõem, a de acrescentar mais um popup e mais um click é passar um atestado de estupidez ao eleitor, conseguindo ao mesmo tempo transferir mais votos para os partidos dos extremos e do populismo.

Na forma como o parlamento está a propor o registo de deputados até a sra. da limpeza pode registar a presença de um deputado.



2019 o ano do futuro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Novo Paradigma de Liderança

Portugal entre a Crise e a Pneumonia

A malta nunca está contente


Olhando para Lisboa com alguma memória, é difícil não concordar que foi o alojamento local que levou à recuperação do edificado, que tantos anos nos envergonhou. Por isso, fico perplexo quando dou por mim a ouvir alguma malta criticar o alojamento local e o turismo. 

O argumento obviamente que é o aumento do preço das casas, mas eu também me lembro daqueles que criticavam os prédios a cair de podre e a necessidade de forçar os senhorios a recuperar esses prédios. 

A malta nunca está contente.  




 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Todas as decisões têm um lado positivo...

voto favorável do PSD à moção de censura do CDS é uma opção boa para todos os partidos com assento parlamentar: 

O PSD - Demonstra coerência e bom senso, pois não tem complexos em alinhar com o CDS naquilo que os une. Não fica com o ónus de ter perpetuado o Governo e dá início à sua campanha eleitoral. Por outro lado, ajuda a colar o PS à esquerda, polarizando o voto em ano de eleições, facto que no limite poderá ajudar aquele que continua a ser o maior partido da oposição;

O CDS - Marca a agenda e força o maior partido da oposição a alinhar. Deixa claro que a Assunção também pode vir a conseguir uma coligação;

O PS - Os votos favoráveis do PSD e do CDS vão forçar o BE e a CDU a demonstrar o seu apoio à geringonça. Em ano de eleições, esta demonstração de apoio enfraquece o BE e a CDU enquanto partidos à esquerda do PS, o que pode reforçar o sentido de voto no PS.  

A CDU - Apesar de entalado, pode dissociar-se dos Verdes (que já anunciou votar contra a moção) e apostar na diferenciação do PCP, enfraquecendo o BE e assumindo-se como a verdadeira opção à esquerda do PS. 

O BE - Assume o apoio ao Governo e deixa claro o quanto merece integrar o próximo governo.

O PAN - talvez consiga trocar o seu voto por alguma alteração legislativa.

O PSD+CDS representam 107 votos, o PS precisa do BE+PEV para chegar a este valor, bastando o voto do PAN para chumbar a moção. O PCP pode por isso abster-se.








quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2019…O Futuro começa hoje!



O futuro é uma das palavras mais comuns na mensagem política que transporta uma imensa carga positiva. É em nome dele que as batalhas políticas se travam, é com os olhos postos nele que são utilizadas as palavras mais belas do vocabulário político. Palavras como horizonte, progresso, conquista, geração, confiança, ideal e esperança.

2019 tem de ser o regresso ao caminho para um futuro melhor e por isso é fundamental que os políticos abdiquem, de referir no seu discurso a ideia de um futuro sem esperança, por mais que a ação do governo os possa para aí remeter.

2018 trouxe uma governação da “geringonça” com show off permanente, que visava agradar a todos. No entanto não conseguiu satisfazer os interesses das muitas corporações que foram sendo inundadas de promessas mil, nem dos portugueses em geral.

O roubo de Tancos; os incêndios em Monchique; falhas graves na saúde; Borba; queda do Helicóptero do INEM; falhas graves na segurança; greves na saúde, educação, justiça, transportes, Policias, Finanças, Bombeiros Voluntários; a carga Fiscal mais alta de sempre e a dívida pública em máximos históricos, são muitos dos sinais de um caminho errado e sem futuro.

Temos um País em “cruise control” à espera das eleições, sem criar alarido o que revela um futuro com pouca esperança para uma democracia que precisa de alternativas credíveis. Neste campo 2018 revelou alguma timidez, mas 2019 promete que o receio do suposto conflito, que advém da defesa de posições e projetos diferentes, seja definitivamente posto de lado.

Negar a natureza conflitual da política é negar a sua essência. Esta negação transforma a unanimidade numa hipotética virtude e num dogma real. 2019 tem de ser o ano em que romper consensos e apresentar projetos alternativos, se torne um imperativo nacional, mas sempre com o propósito de conquistar a governabilidade porque primeiro está Portugal.

Este imperativo define-se assumindo a diferença entre a maneira como se faz política e aquela como se deveria fazer. Quem não fizer o que é “costume” para, em contraponto, fazer o que “tem de ser feito”, ajudará seguramente Portugal a derrubar as barreiras do imobilismo, da estagnação e da resignação. Mas é preciso coragem e essa está ao alcance de poucos.

As rupturas e os conflitos corajosos têm sempre riscos associados. Porém os portugueses esperam que alguns políticos possam recorrer ao sábio legado milenar do general chinês Sun Tzu, que defendia no seu clássico, A Arte da Guerra, que, “A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço.”

Em 2018 o governo de António Costa conseguiu, de forma hábil, um conjunto de condições que lhe asseguraram a governabilidade. A solidez interna à conta de promessas adiadas consecutivamente; o voto de confiança dos partidos à sua esquerda que fingem nada saber, mas em tudo participam; e o apoio do Presidente da República em nome da estabilidade que é sua responsabilidade. Sem este cenário a ação política da “geringonça” estaria condenada ao fracasso.

O ano de 2019 tem de ser o ano onde a alternativa procure motivar, estimular, e dar esperança aos portugueses. Numa estratégia assente na expressão imortalizada pelo nosso Rei D. João II (o Príncipe Perfeito), que referiu que, “há tempos de usar o olhar da coruja e tempos de voar como o falcão”. 2019 deve ser o ano de voar como falcão.

É crucial assumir de vez a eficácia da “Realpolitik”, que significa a adequação da política à realidade. Este novo ano é o do futuro e esperança, que valorizará o pragmatismo estratégico dos líderes políticos, mais preocupados com a eficácia da sua nobre ação – que coloca primeiro Portugal - do que com o cumprimento de directrizes partidárias ou de objetivos de médio e longo prazo que visam, exclusivamente, a sobrevivência política.

Em 2019 mobilizar energias, motivar vontades, fazer ruturas nuns momentos e revelar dotes conciliadores noutros, será a grande prova dos líderes políticos com futuro.

Para António Costa os indicadores têm sido positivos, mas isso não é necessariamente bom para o futuro de Portugal. António Costa move-se no terreno dos que visam, exclusivamente, a sua sobrevivência política e isso nem sempre é compatível com o interesse de Portugal.
Mas por mais indicadores positivos que se queiram injetar nunca é demais lembrar que as eleições não se ganham nem se perdem por antecipação, ao contrário do que alguns comentadores e jornalistas tendem a vaticinar, proclamando a inevitabilidade de uma vitória do Partido Socialista.

Não é aceitável que se trate o eleitorado com essa presunção e desdém, mesmo se admitirmos que a oposição se encontra numa posição difícil, o que é uma realidade subjetiva. Em 2015 o eleitorado deu uma lição de Democracia aos fazedores de opinião, no entanto alterou-se para sempre o panorama político e as regras parlamentares. Esperemos agora que 2019 possa retificar o erro histórico e recoloque Portugal no caminho do Futuro.

Como ironizava o escritor norte-americano, Ambrose Bierce, “o futuro é o único reduto do tempo em que tudo corre bem”, e para Portugal o Futuro começa hoje!

Artigo publicado on-line no Jornal Público:

https://www.publico.pt/2019/01/03/politica/opiniao/2019-futuro-comeca-hoje-1856439



terça-feira, 30 de outubro de 2018

E o medo decidiu

A insegurança, o descrédito no PT e o desespero prevaleceram. A insegurança, com uns pozinhos de reação ao ridículo de um candidato ir à prisão receber instruções de um condenado por corrupção marcou o fim da era Lula.

Aparentemente, o Brasil preferiu o risco de perder Liberdade e de criar um estado securitário a manter uma taxa de homicídio 30 vezes superiores aos números europeus

Quando falamos do Brasil temos de ter a noção que estamos a falar de outro mundo. No Brasil uma pessoa é morta a cada 9 minutos. Em Portugal, quando saímos de casa de manhã para ir trabalhar ligamos a app para ver onde há trânsito, no Brasil ligam a app para saber onde há tiroteio.  Isto terá sido o principal motivo para eleitores que em tempos votaram Lula, ou Aécio, agora terem votado em massa no Bolsonaro. 

Para facilitar um pouco, nesta segunda volta a pergunta que foi feita aos eleitores brasileiros não foi se preferiam viver em liberdade, ou se preferiam viver em ditadura. A pergunta foi se preferiam ser governados por um Vale e Azevedo, num país onde nem em casa estás seguro, ou se preferiam mudar para um ex-militar, correndo o risco de perder uma Liberdade que para a maioria já não existe.

Ao contrário do que a larga maioria dos analistas tem assumido, tenho muitas dúvidas que o problema da corrupção tenha tido um papel preponderante na decisão do voto, tenho dúvidas se não terá sido mais do que um racional para justificar o voto num candidato que se deixa fotografar com uma metralhadora na mão. Até porque o próprio Bolsonaro também é alvo de suspeitas, aliás que os seus adversários exploraram sem qualquer resultado prático. 


(foto retirada daqui)

O Presidente Eleito da República Brasileira é Jair Bolsonaro, foi eleito democraticamente. Qualquer repúdio ao ato em si, ao processo eleitoral, é absurdo por natureza, pelo menos para qualquer instituição democrática, defensora da Liberdade. No entanto, observar o conservadorismo dogmático e o sectarismo chegarem ao poder é preocupante. Uma preocupação que deve ir para além da birra daqueles que têm sido coniventes com os falhanços governativos nas grandes democracias mundiais. 

A questão que deveriamos estar a colocar neste momento é como evitar que o mesmo aconteça na Europa. Repudiar atos democráticos só ajuda a extremar posições, torna-nos parte do problema e não da solução.

Neste momento, depois de uma escolha legítima e democrática resta-nos desejar que o povo Brasileiro consiga unir-se, desejar que as instituições que zelam pela democracia brasileira funcionem, e que o Presidente e o seu Vice-Presidente (Jair Bolsonaro e  Hamilton Mourão) demonstrem que tudo o que se tem sido dito sobre eles não passe de uma narrativa, prevalecendo a Tolerância e a Liberdade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A quarta "Era" da comunicação


Em tempos passados, a forma de comunicação política era direta e fazia-se através de reuniões públicas em salões de igrejas, cinemas, salões de baile e campanhas políticas de porta-a-porta. Nos dias de hoje, estes métodos são cada vez menos comuns e limitados, principalmente a países onde a tecnologia não permite que a mensagem seja enviada diretamente para casa das pessoas.

Estamos perante uma evolução da comunicação e nesse sentido, já em 1999, os autores Blumler e Kavanaugh distinguiam a evolução da comunicação política em três eras distintas. 

A primeira era, ocorreu antes do início da televisão, quando os principais canais de comunicação eram instituições políticas fortes e estáveis, como os partidos políticos tradicionais ligados aos regimes.

A segunda era, foi aquela onde as mensagens passaram a ser transmitidas através dos meios de comunicação de massa, o que fez com que a procura por profissionais de comunicação tenha aumentado uma vez que estando estes profissionais inseridos no meio, poderiam explorar melhor as suas vantagens.

Na terceira era, ainda emergente, a componente essencial distinguida foi a existência dos média e todos os seus canais de comunicação. Nesta era, a profissionalização da comunicação política torna-se cada vez mais evidente e passa a ser um fator essencial de sucesso. Os seus melhores profissionais colocam como prioridade a orientação dos agentes políticos, para que possam comunicar através da multiplicidade de canais, cada um deles com um conjunto de necessidades e formatos específicos.

É hoje claro que estamos na terceira era da comunicação política e esta tornou-se uma atividade voltada para as grandes massas usando os meios de comunicação (jornais, televisões e redes sociais). Esta mudança de paradigma permitiu que os média não só escolham o que transmitir como notícia, mas também escolham a maneira como essa notícia deve chegar aos respetivos grupos que compõem a sociedade.

A comunicação política, hoje, deixou de ser uma atividade direta, pessoal, face a face, para ser conduzida, indiretamente, através dos órgãos de comunicação social e dos vários canais de comunicação. Neste caso só as redes sociais podem fugir deste controlo dos órgãos de comunicação social.

Embora estas mudanças possam ter algumas perversões - e é fatual que têm - não deixam de representar um avanço enorme para a comunicação política, conseguindo desta forma, um meio para chegar o mais longe possível.

Com a evolução das tecnologias de informação e comunicação, a mensagem política chega a cada vez mais eleitores e isso significa que a evolução tecnológica ajudou, e ajuda a influenciar mais pessoas e mais instituições.

Se tivermos em conta a proliferação da internet nas últimas décadas temos de reconhecer que esta representou uma verdadeira revolução para a democracia global. Hoje cada vez mais cidadãos têm acesso à informação política o que, de certa forma, permite dar-lhes as ferramentas e conhecimentos para que as escolhas que possam vir a fazer sejam cada vez mais conscientes e sustentadas.

Além disso cada cidadão com acesso à comunicação passa a ser um meio de difusão da mensagem política, o que permite que esta mesma mensagem atinja todos os cantos do mundo.

Mas nesta era da abundância dos média, a comunicação política tem vindo a ser reformulada por tendências que fogem da origem da ciência política e da comunicação simples.

O aumento das pressões competitivas dos órgãos de comunicação social; o populismo anti-elitista e tão “acarinhado” por alguns jornalistas de uma pertença esquerda; o sebastianismo defendido por jornalistas de uma pertença direita que desvaloriza as opiniões contrárias; o experimentalismo e ambição (desmedida) de alguns profissionais da comunicação política; a avidez selvagem de algumas agências de comunicação; o jornalismo tendencioso (que recorre a falsas fontes); e por fim a mudança dos eleitores na abordagem às mensagens políticas, são fatores que obrigam a repensar a estratégia futura da comunicação política.

Surge então, dentro da terceira era emergente da comunicação política, a necessidade de procurar um meio eficaz que não permita que sejam os média a decidir o que se comunica ou não, ao nível da mensagem política, mas sim os agentes políticos em conjunto com os responsáveis da comunicação social.

Compete a estes responsáveis construir os canais para termos uma comunicação política que se quer sem ruído, sem filtros prévios, esclarecedora e acima de tudo, com a capacidade de chegar aos seus verdadeiros destinatários que são os eleitores.

O desafio é criar uma quarta era da comunicação política onde os agentes políticos e os representantes dos média possam, em conjunto, contribuir de forma responsável para uma sociedade mais informada, mais esclarecida e por consequência mais democrática.