sexta-feira, 15 de março de 2019

ANTES TIVESSE IDO PARA PARIS


O Semanário Sol, publicita que «Passos Coelho foi aumentado em 800 euros pelo ISCSP depois de passar a "tempo integral"».

A respeito desta NÃO NOTÍCIA, vamos por partes:

A legislação determina que os professores convidados são recrutados, por convite, de entre individualidades, nacionais ou estrangeiras, cuja reconhecida competência científica, pedagógica e ou profissional na área ou áreas disciplinares em causa esteja comprovada curricularmente. É o caso de Pedro Passos Coelho nas áreas de administração pública e ciência política.

Pedro Passos Coelho não é catedrático. Pois bem, vejamos os exemplos de Mário Soares, Luís Amado, Paulo Macedo, Vítor Constâncio ou Guilherme d’Oliveira Martins que não sendo doutorados foram convidados para o cargo de professor catedrático convidado.

O regime de contratação de professores convidados serve precisamente para dar liberdade à academia de ir procurar no mundo não-académico determinadas experiencias que a Cátedra não detém ou não consegue por outra via assegurar.

Por fim a questão remuneratória. Pedro Passos Coelho passou do regime de “tempo parcial” para “tempo integral”, o que implicou como é obvio a respetiva mudança salarial, representada num aumento de 800 euros.

Resumindo e concluindo, antes Pedro Passos Coelho tivesse ido para Paris a expensas dos amigos e estes escândalos não sucediam!!!
 
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O Parlamento português já passa atestados

Esta semana o Parlamento decidiu alterar o sistema de registo de presenças. Esta necessidade surgiu no seguimento de várias situações de falsas presenças reportados na comunicação social.

Há anos que o Parlamento tem institucionalizado um sistema de registo de presenças falsas, por parte dos deputados.

E há várias justificações:


  1. O argumento funcional - a presença de todos é muitas vezes essencial para garantir o número mínimo de deputados, necessário para aprovar ou chumbar uma proposta; 
  2. O argumento financeiro - as senhas de presença representam um acréscimo significativo ao ordenado do Deputado.
  3. O argumento parvo - de que os Deputados não devem ter faltas pois são eleitos (apesar de não ser por eleição unipessoal) e por integrarem um órgão de soberania.

Todos os argumentos têm como fundo o facto do trabalho parlamentar ser muito mais que a presença nas Sessões do Parlamento, e este facto parece-me incontestável. Mas, isto não pode servir de argumento para não se cumprir a Lei.

Tanto o argumento funcional como o financeiro não fazem sentido, pois no primeiro o problema está na responsabilidade, ou falta dela, de cada deputado e na necessidade de se repensar a forma como se vota no parlamento e no cuidado a ter na escolha das listas de cada partido. O segundo argumento cai num campo ainda mais perverso, o da fraude para se obter um benefício financeiro do Estado.

O argumento parvo na realidade é tão parvo como os outros dois pois indicia que a Lei está mal feita e que deveria ser alterada. E o Parlamento é o sítio certo para se fazer essa alteração.

Enquanto a Lei existir como está, a permitir a marcação de faltas aos deputados e a permitir que os partidos votem em grupo, os Deputados não podem atuar de outra forma que não seja a de cumprir a Lei.

Qualquer que seja o argumento, aquilo que o Parlamento está  a transmitir, quando permite a institucionalização da fraude na marcação de presenças, é que a Lei não é para cumprir e que pode ser contornada à medida de cada um. O Parlamento transmite a ideia de que um deputado não tem de dar o exemplo e que não precisa ser responsabilizado.

Enquanto a Lei existir na forma como existe, o Parlamento só tem uma saída possível, a introdução de um sistema que garanta que é realmente o deputado a registar-se. E a única forma de o conseguir, sem cair no descrédito, é por intermédio de um processo biométrico. Qualquer outra solução, como a que agora propõem, a de acrescentar mais um popup e mais um click é passar um atestado de estupidez ao eleitor, conseguindo ao mesmo tempo transferir mais votos para os partidos dos extremos e do populismo.

Na forma como o parlamento está a propor o registo de deputados até a sra. da limpeza pode registar a presença de um deputado.



2019 o ano do futuro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Novo Paradigma de Liderança

Portugal entre a Crise e a Pneumonia

A malta nunca está contente


Olhando para Lisboa com alguma memória, é difícil não concordar que foi o alojamento local que levou à recuperação do edificado, que tantos anos nos envergonhou. Por isso, fico perplexo quando dou por mim a ouvir alguma malta criticar o alojamento local e o turismo. 

O argumento obviamente que é o aumento do preço das casas, mas eu também me lembro daqueles que criticavam os prédios a cair de podre e a necessidade de forçar os senhorios a recuperar esses prédios. 

A malta nunca está contente.  




 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Todas as decisões têm um lado positivo...

voto favorável do PSD à moção de censura do CDS é uma opção boa para todos os partidos com assento parlamentar: 

O PSD - Demonstra coerência e bom senso, pois não tem complexos em alinhar com o CDS naquilo que os une. Não fica com o ónus de ter perpetuado o Governo e dá início à sua campanha eleitoral. Por outro lado, ajuda a colar o PS à esquerda, polarizando o voto em ano de eleições, facto que no limite poderá ajudar aquele que continua a ser o maior partido da oposição;

O CDS - Marca a agenda e força o maior partido da oposição a alinhar. Deixa claro que a Assunção também pode vir a conseguir uma coligação;

O PS - Os votos favoráveis do PSD e do CDS vão forçar o BE e a CDU a demonstrar o seu apoio à geringonça. Em ano de eleições, esta demonstração de apoio enfraquece o BE e a CDU enquanto partidos à esquerda do PS, o que pode reforçar o sentido de voto no PS.  

A CDU - Apesar de entalado, pode dissociar-se dos Verdes (que já anunciou votar contra a moção) e apostar na diferenciação do PCP, enfraquecendo o BE e assumindo-se como a verdadeira opção à esquerda do PS. 

O BE - Assume o apoio ao Governo e deixa claro o quanto merece integrar o próximo governo.

O PAN - talvez consiga trocar o seu voto por alguma alteração legislativa.

O PSD+CDS representam 107 votos, o PS precisa do BE+PEV para chegar a este valor, bastando o voto do PAN para chumbar a moção. O PCP pode por isso abster-se.








quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2019…O Futuro começa hoje!



O futuro é uma das palavras mais comuns na mensagem política que transporta uma imensa carga positiva. É em nome dele que as batalhas políticas se travam, é com os olhos postos nele que são utilizadas as palavras mais belas do vocabulário político. Palavras como horizonte, progresso, conquista, geração, confiança, ideal e esperança.

2019 tem de ser o regresso ao caminho para um futuro melhor e por isso é fundamental que os políticos abdiquem, de referir no seu discurso a ideia de um futuro sem esperança, por mais que a ação do governo os possa para aí remeter.

2018 trouxe uma governação da “geringonça” com show off permanente, que visava agradar a todos. No entanto não conseguiu satisfazer os interesses das muitas corporações que foram sendo inundadas de promessas mil, nem dos portugueses em geral.

O roubo de Tancos; os incêndios em Monchique; falhas graves na saúde; Borba; queda do Helicóptero do INEM; falhas graves na segurança; greves na saúde, educação, justiça, transportes, Policias, Finanças, Bombeiros Voluntários; a carga Fiscal mais alta de sempre e a dívida pública em máximos históricos, são muitos dos sinais de um caminho errado e sem futuro.

Temos um País em “cruise control” à espera das eleições, sem criar alarido o que revela um futuro com pouca esperança para uma democracia que precisa de alternativas credíveis. Neste campo 2018 revelou alguma timidez, mas 2019 promete que o receio do suposto conflito, que advém da defesa de posições e projetos diferentes, seja definitivamente posto de lado.

Negar a natureza conflitual da política é negar a sua essência. Esta negação transforma a unanimidade numa hipotética virtude e num dogma real. 2019 tem de ser o ano em que romper consensos e apresentar projetos alternativos, se torne um imperativo nacional, mas sempre com o propósito de conquistar a governabilidade porque primeiro está Portugal.

Este imperativo define-se assumindo a diferença entre a maneira como se faz política e aquela como se deveria fazer. Quem não fizer o que é “costume” para, em contraponto, fazer o que “tem de ser feito”, ajudará seguramente Portugal a derrubar as barreiras do imobilismo, da estagnação e da resignação. Mas é preciso coragem e essa está ao alcance de poucos.

As rupturas e os conflitos corajosos têm sempre riscos associados. Porém os portugueses esperam que alguns políticos possam recorrer ao sábio legado milenar do general chinês Sun Tzu, que defendia no seu clássico, A Arte da Guerra, que, “A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço.”

Em 2018 o governo de António Costa conseguiu, de forma hábil, um conjunto de condições que lhe asseguraram a governabilidade. A solidez interna à conta de promessas adiadas consecutivamente; o voto de confiança dos partidos à sua esquerda que fingem nada saber, mas em tudo participam; e o apoio do Presidente da República em nome da estabilidade que é sua responsabilidade. Sem este cenário a ação política da “geringonça” estaria condenada ao fracasso.

O ano de 2019 tem de ser o ano onde a alternativa procure motivar, estimular, e dar esperança aos portugueses. Numa estratégia assente na expressão imortalizada pelo nosso Rei D. João II (o Príncipe Perfeito), que referiu que, “há tempos de usar o olhar da coruja e tempos de voar como o falcão”. 2019 deve ser o ano de voar como falcão.

É crucial assumir de vez a eficácia da “Realpolitik”, que significa a adequação da política à realidade. Este novo ano é o do futuro e esperança, que valorizará o pragmatismo estratégico dos líderes políticos, mais preocupados com a eficácia da sua nobre ação – que coloca primeiro Portugal - do que com o cumprimento de directrizes partidárias ou de objetivos de médio e longo prazo que visam, exclusivamente, a sobrevivência política.

Em 2019 mobilizar energias, motivar vontades, fazer ruturas nuns momentos e revelar dotes conciliadores noutros, será a grande prova dos líderes políticos com futuro.

Para António Costa os indicadores têm sido positivos, mas isso não é necessariamente bom para o futuro de Portugal. António Costa move-se no terreno dos que visam, exclusivamente, a sua sobrevivência política e isso nem sempre é compatível com o interesse de Portugal.
Mas por mais indicadores positivos que se queiram injetar nunca é demais lembrar que as eleições não se ganham nem se perdem por antecipação, ao contrário do que alguns comentadores e jornalistas tendem a vaticinar, proclamando a inevitabilidade de uma vitória do Partido Socialista.

Não é aceitável que se trate o eleitorado com essa presunção e desdém, mesmo se admitirmos que a oposição se encontra numa posição difícil, o que é uma realidade subjetiva. Em 2015 o eleitorado deu uma lição de Democracia aos fazedores de opinião, no entanto alterou-se para sempre o panorama político e as regras parlamentares. Esperemos agora que 2019 possa retificar o erro histórico e recoloque Portugal no caminho do Futuro.

Como ironizava o escritor norte-americano, Ambrose Bierce, “o futuro é o único reduto do tempo em que tudo corre bem”, e para Portugal o Futuro começa hoje!

Artigo publicado on-line no Jornal Público:

https://www.publico.pt/2019/01/03/politica/opiniao/2019-futuro-comeca-hoje-1856439