terça-feira, 11 de junho de 2019

sexta-feira, 31 de maio de 2019

A crise de representação

Em períodos excepcionais, a política ultrapassa a esfera da gestão dos assuntos públicos e alarga as próprias fronteiras para o espaço de intervenção partidária na própria democracia, enquanto sistema.

O tacticismo e o convencional têm transformado o paradigma da política ao longo dos tempos, pelos piores motivos, e isso revela-se com o crescente afastamento dos eleitores. 

Assistimos, em Portugal e na Europa, a uma degradação da democracia representativa e a sociedade portuguesa reage com uma omissão cívica preocupante.

Nestes novos tempos, a todo o momento, a palavra “Crise” surge nas discussões políticas quando ouvimos falar em crise económica, crise social, crise diplomática, crise de valores, crise de liderança, crise de regime e agora a mais preocupante de todas, a crise de representação.

A política e as crises tornaram-se realidades inseparáveis ao ponto de poder dizer-se que uma pressupõe a outra. Sem crises, num mundo perfeito, a política seria quase dispensável. 

Mas quando falamos de crise de representação abre-se um novo tempo negro, em que não temos noção das consequências futuras.

Hoje vivemos claramente uma crise de representação e o maior exemplo disso foram os cerca de 70% de abstenção nas últimas eleições Europeias. Só 3 em cada 10 portugueses foram votar e não parece que apenas 30% de uma população possa representar os demais 70% alheados.

No momento atual em que, sem que muitos o percebam, vivemos a crise da própria política, temos inevitavelmente de adotar uma estratégia capaz de reanimar, no curto prazo, uma democracia que parece estar, ela sim, condenada á irrelevância.

Têm de se restruturar os Partidos Políticos na sua estrutura, funcionamento, organização e nas formas como comunicam com o eleitorado.

Têm de ser combatidos os vícios do sistema parlamentar definindo critérios objetivos para a ação política, para a participação política e até para a eleição e nomeação para cargos públicos.

Têm de se derrubar as barreiras do sistema político atual onde predomina a desresponsabilização dos seus protagonistas e ausência de fiscalização dos eleitos pelos eleitores.

Têm de ser enfrentados os interesses mais ou menos instalados na administração publica, nos órgãos de poder, nos grupos de pressão e nos grupos de interesses particulares (sindicatos, Associações, Ordens Profissionais, etc).

Mas temos também de aproveitar o momento para refletir, com os protagonistas da opinião publicada e com a comunicação social em geral, sobre a sua responsabilidade neste estado de coisas. Não pode a Comunicação Social - o 4º Poder - assobiar e olhar para o lado como se, também ela, não tivesse responsabilidades no estado da arte.

Este é o momento de todos os protagonistas em Portugal aproveitarem esta “Crise” e ajudar a mudar os paradigmas de comunicação, representação e de formas de participação política para o futuro.

Mecanismos de participação política tradicionais como por exemplo a Petição, a Representação, a Reclamação e a Queixa, pelos poucos resultados que produzem estão completamente obsoletos e são ineficazes nos novos tempos.

Este é momento de colocar a debate as ideias mais disruptivas e ousadas (dentro de critérios de responsabilidade) para poder mudar o futuro da democracia participativa e assim aproximar os cidadãos da política.

Como disse Winston Churchill: “Nunca devemos desperdiçar uma boa crise.” E Churchill sabia muito bem como as enfrentar e potenciar. Temos de o fazer e não embarcar na demagogia fácil de quem não quer mudar nada.

É urgente encontrar consensos alargados que promovam uma reforma eleitoral e política com os olhos postos nos interesses das pessoas. Mas mais ainda é preciso encontrar consensos alargados para as reformas estruturais de um País em que a democracia participativa é elemento vital.

Hoje o vínculo entre os cidadãos e os políticos tem vindo a dar lugar a uma crescente indiferença, desconfiança e afastamento e é exatamente este vínculo de confiança que temos de ver reforçado, sob pena de termos repetidamente 30% de opiniões a comandarem 100% de portugueses.


Este artigo foi Publicado no Jornal Público a 30-05-2019. Segue o link abaixo:

https://www.publico.pt/2019/05/30/politica/opiniao/crise-representacao-1874786

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Chip!



De acordo com o PAN eu pertenço ao agregado familiar do meu yorkshire terrier. 

Eventualmente terei que usar chip, não sei se o seguro cobre a conta do veterinário!


quinta-feira, 23 de maio de 2019

A humilhação do Serviço Nacional de Saúde



O Ricardo Leite resumiu em vídeo a situação da Ala Pediátrica do Hospital de São João no Porto, onde crianças estão a receber o tratamento oncológico em barracões.

Deviam mostrar este vídeo sempre que se falar do Serviço Nacional de Saúde.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O silêncio é um aliado importante em campanha eleitoral

Com um candidato fraco e dado a momentos caricatos, aparentemente, o PS  está a conseguir contrariar a tendência que o PSD parecia impor no início da campanha para as europeias.

Em abril os números das sondagens JN/TSF/Pitagórica previam um empate técnico entre PS e PSD. No entanto, apesar de todas as gaffes, e de se apresentarem com uma campanha à imagem do candidato, os números mais recentes começam a dar um sinal de recuperação de Pedro Marques.

Apesar de estarem a assumir um discurso tradicional de direita, a entrada de António Costa na campanha e a diminuição da presença de Pedro Marques começaram a fazer efeito. 

Depois do esforço de dispersão do eleitorado de direita, com o surgimento de partidos Liberais, como o Aliança e o  Iniciativa Liberal, cuja página de Facebook já foi uma página de apoio a António Costa, a campanha do PS parece estar obcecada com o o eleitor que votou em Pedro Passos Coelho, e apresenta uma linha claramente virada para atributos que o António Costa não conseguiu associar na campanha de 2017. 

O PS tem feito um esforço para trabalhar atributos que normalmente não lhe estão associados, como a responsabilidade, as contas certas e capacidade de execução.  

A responsabilidade: Sinceramente, não sei qual a ideia mais difícil de passar ao eleitor, se a ideia de que o Partido de José Socrates pode ser responsável, ou se a ideia de que Pedro Marques consegue dar mais que indicações de trânsito a António Costa. 


As contas certas: Acho difícil destronar Pedro Passos Coelho nas contas certas.

A ocupação do espaço do PSD não se fica por aqui, a ideia de que o PS representa o partido do trabalho também está a ser testada na campanha de Pedro Marques.

E se isto já não era estranho o suficiente, o PS foi ainda mais longe, foi buscar o slogan à campanha do Fernando Nogueira de 1995.



Mas isto de pouco importa para o resultado eleitoral do PS, o relevante é que o Pedro Marques fale o menos possível e que o António Costa dê a cara.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O spin do Bispo

Quem estuda propaganda sabe que se há instituição que percebe de comunicação é a Igreja.

No dia 20 de abril o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, vem a terreiro assumir em entrevista à TSF que a sua diocese será a primeira a recusar criar uma comissão para lidar com eventuais casos de abuso sexual de menores. Nesta entrevista, chega mesmo a dizer que criar uma comissão para lidar com casos de Pedofilia na Igreja é tão util como criar uma comissão que estude a queda de um meteorito na cidade do Porto. Aparentemente, para este Bispo, a pedofilia na Igreja é uma questão de astronomia, tão rara como a queda de um meteorito.

Feita a borrada, começa a funcionar a máquina de comunicação, no dia seguinte, dia 21 de abril, o mesmo Bispo, D. Manuel Linda, atira para os média um novo tema - O encerramento dos Supermercados ao domingo. Como não havia tempo para entrevista, as declarações foram feitas na Sé da Diocese durante a homilia da Páscoa. 

Não fosse para abafar o primeiro tema, o spin até se poderia perceber à luz de quem não tem família, nem compras para fazer ao fim de semana. Mas pronto, aparentemente é mais importante o que fazemos ao domingo do que a queda de um meteorito.

Hoje foi com espanto que vi o PCP defender o spin do Bispo.

terça-feira, 23 de abril de 2019

A Grândola Vila Morena de António Costa

Em 2015 um dos Comícios do António Costa foi interrompido por um jovem revoltado que defendia que a verdadeira alternativa ao Passos Coelho era por políticos a limpar florestas. Ontem, outro jovem revoltado invade novamente o palco onde António Costa se preparava para discursar para gritar aos sete ventos que não quer mais aviões.

A verdade é que tal como terá havido uma máquina por trás das serenatas do Grândola Vila Morena aos membros do governo do Passos, também me parece coincidência a mais estes marmanjos invadirem comícios com mensagens que mais parecem desculpas para conseguirem os seus 5 minutos de fama.

Veja as diferenças:

2019

  2015

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Qual é o Partido das contas certas?

Hoje saiu uma sondagem que revela que as coisas não estão a correr assim tão bem ao PS. Apesar de se esperar uma vantagem maior da candidatura de Pedro Marques nas eleições europeias, atualmente a distância para o PSD é inferior à margem de erro. Uma sondagem que provavelmente reflete o familygate que assombrou o governo nos últimos tempos.

É perfeitamente compreensível que um candidato mais apagado procure capitalizar a imagem e as medidas positivas de um Governo com aceitação popular. No entanto, essa colagem traz o bom e o mau, ou seja, corre bem quando há uma revolução nos passes sociais e corre mal quando há um familygate.

A coisa piora se as mensagens também não estão alinhadas. Uma coisa é quando falamos numa linguagem concordante com a perceção que os eleitores têm do governo. Outra coisa diferente é quando tentamos passar uma mensagem que está ao nível das piores campanhas do adversário. 


sexta-feira, 15 de março de 2019

ANTES TIVESSE IDO PARA PARIS


O Semanário Sol, publicita que «Passos Coelho foi aumentado em 800 euros pelo ISCSP depois de passar a "tempo integral"».

A respeito desta NÃO NOTÍCIA, vamos por partes:

A legislação determina que os professores convidados são recrutados, por convite, de entre individualidades, nacionais ou estrangeiras, cuja reconhecida competência científica, pedagógica e ou profissional na área ou áreas disciplinares em causa esteja comprovada curricularmente. É o caso de Pedro Passos Coelho nas áreas de administração pública e ciência política.

Pedro Passos Coelho não é catedrático. Pois bem, vejamos os exemplos de Mário Soares, Luís Amado, Paulo Macedo, Vítor Constâncio ou Guilherme d’Oliveira Martins que não sendo doutorados foram convidados para o cargo de professor catedrático convidado.

O regime de contratação de professores convidados serve precisamente para dar liberdade à academia de ir procurar no mundo não-académico determinadas experiencias que a Cátedra não detém ou não consegue por outra via assegurar.

Por fim a questão remuneratória. Pedro Passos Coelho passou do regime de “tempo parcial” para “tempo integral”, o que implicou como é obvio a respetiva mudança salarial, representada num aumento de 800 euros.

Resumindo e concluindo, antes Pedro Passos Coelho tivesse ido para Paris a expensas dos amigos e estes escândalos não sucediam!!!
 
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O Parlamento português já passa atestados

Esta semana o Parlamento decidiu alterar o sistema de registo de presenças. Esta necessidade surgiu no seguimento de várias situações de falsas presenças reportados na comunicação social.

Há anos que o Parlamento tem institucionalizado um sistema de registo de presenças falsas, por parte dos deputados.

E há várias justificações:


  1. O argumento funcional - a presença de todos é muitas vezes essencial para garantir o número mínimo de deputados, necessário para aprovar ou chumbar uma proposta; 
  2. O argumento financeiro - as senhas de presença representam um acréscimo significativo ao ordenado do Deputado.
  3. O argumento parvo - de que os Deputados não devem ter faltas pois são eleitos (apesar de não ser por eleição unipessoal) e por integrarem um órgão de soberania.

Todos os argumentos têm como fundo o facto do trabalho parlamentar ser muito mais que a presença nas Sessões do Parlamento, e este facto parece-me incontestável. Mas, isto não pode servir de argumento para não se cumprir a Lei.

Tanto o argumento funcional como o financeiro não fazem sentido, pois no primeiro o problema está na responsabilidade, ou falta dela, de cada deputado e na necessidade de se repensar a forma como se vota no parlamento e no cuidado a ter na escolha das listas de cada partido. O segundo argumento cai num campo ainda mais perverso, o da fraude para se obter um benefício financeiro do Estado.

O argumento parvo na realidade é tão parvo como os outros dois pois indicia que a Lei está mal feita e que deveria ser alterada. E o Parlamento é o sítio certo para se fazer essa alteração.

Enquanto a Lei existir como está, a permitir a marcação de faltas aos deputados e a permitir que os partidos votem em grupo, os Deputados não podem atuar de outra forma que não seja a de cumprir a Lei.

Qualquer que seja o argumento, aquilo que o Parlamento está  a transmitir, quando permite a institucionalização da fraude na marcação de presenças, é que a Lei não é para cumprir e que pode ser contornada à medida de cada um. O Parlamento transmite a ideia de que um deputado não tem de dar o exemplo e que não precisa ser responsabilizado.

Enquanto a Lei existir na forma como existe, o Parlamento só tem uma saída possível, a introdução de um sistema que garanta que é realmente o deputado a registar-se. E a única forma de o conseguir, sem cair no descrédito, é por intermédio de um processo biométrico. Qualquer outra solução, como a que agora propõem, a de acrescentar mais um popup e mais um click é passar um atestado de estupidez ao eleitor, conseguindo ao mesmo tempo transferir mais votos para os partidos dos extremos e do populismo.

Na forma como o parlamento está a propor o registo de deputados até a sra. da limpeza pode registar a presença de um deputado.



2019 o ano do futuro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Novo Paradigma de Liderança

Portugal entre a Crise e a Pneumonia

A malta nunca está contente


Olhando para Lisboa com alguma memória, é difícil não concordar que foi o alojamento local que levou à recuperação do edificado, que tantos anos nos envergonhou. Por isso, fico perplexo quando dou por mim a ouvir alguma malta criticar o alojamento local e o turismo. 

O argumento obviamente que é o aumento do preço das casas, mas eu também me lembro daqueles que criticavam os prédios a cair de podre e a necessidade de forçar os senhorios a recuperar esses prédios. 

A malta nunca está contente.  




 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Todas as decisões têm um lado positivo...

voto favorável do PSD à moção de censura do CDS é uma opção boa para todos os partidos com assento parlamentar: 

O PSD - Demonstra coerência e bom senso, pois não tem complexos em alinhar com o CDS naquilo que os une. Não fica com o ónus de ter perpetuado o Governo e dá início à sua campanha eleitoral. Por outro lado, ajuda a colar o PS à esquerda, polarizando o voto em ano de eleições, facto que no limite poderá ajudar aquele que continua a ser o maior partido da oposição;

O CDS - Marca a agenda e força o maior partido da oposição a alinhar. Deixa claro que a Assunção também pode vir a conseguir uma coligação;

O PS - Os votos favoráveis do PSD e do CDS vão forçar o BE e a CDU a demonstrar o seu apoio à geringonça. Em ano de eleições, esta demonstração de apoio enfraquece o BE e a CDU enquanto partidos à esquerda do PS, o que pode reforçar o sentido de voto no PS.  

A CDU - Apesar de entalado, pode dissociar-se dos Verdes (que já anunciou votar contra a moção) e apostar na diferenciação do PCP, enfraquecendo o BE e assumindo-se como a verdadeira opção à esquerda do PS. 

O BE - Assume o apoio ao Governo e deixa claro o quanto merece integrar o próximo governo.

O PAN - talvez consiga trocar o seu voto por alguma alteração legislativa.

O PSD+CDS representam 107 votos, o PS precisa do BE+PEV para chegar a este valor, bastando o voto do PAN para chumbar a moção. O PCP pode por isso abster-se.








quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

2019…O Futuro começa hoje!



O futuro é uma das palavras mais comuns na mensagem política que transporta uma imensa carga positiva. É em nome dele que as batalhas políticas se travam, é com os olhos postos nele que são utilizadas as palavras mais belas do vocabulário político. Palavras como horizonte, progresso, conquista, geração, confiança, ideal e esperança.

2019 tem de ser o regresso ao caminho para um futuro melhor e por isso é fundamental que os políticos abdiquem, de referir no seu discurso a ideia de um futuro sem esperança, por mais que a ação do governo os possa para aí remeter.

2018 trouxe uma governação da “geringonça” com show off permanente, que visava agradar a todos. No entanto não conseguiu satisfazer os interesses das muitas corporações que foram sendo inundadas de promessas mil, nem dos portugueses em geral.

O roubo de Tancos; os incêndios em Monchique; falhas graves na saúde; Borba; queda do Helicóptero do INEM; falhas graves na segurança; greves na saúde, educação, justiça, transportes, Policias, Finanças, Bombeiros Voluntários; a carga Fiscal mais alta de sempre e a dívida pública em máximos históricos, são muitos dos sinais de um caminho errado e sem futuro.

Temos um País em “cruise control” à espera das eleições, sem criar alarido o que revela um futuro com pouca esperança para uma democracia que precisa de alternativas credíveis. Neste campo 2018 revelou alguma timidez, mas 2019 promete que o receio do suposto conflito, que advém da defesa de posições e projetos diferentes, seja definitivamente posto de lado.

Negar a natureza conflitual da política é negar a sua essência. Esta negação transforma a unanimidade numa hipotética virtude e num dogma real. 2019 tem de ser o ano em que romper consensos e apresentar projetos alternativos, se torne um imperativo nacional, mas sempre com o propósito de conquistar a governabilidade porque primeiro está Portugal.

Este imperativo define-se assumindo a diferença entre a maneira como se faz política e aquela como se deveria fazer. Quem não fizer o que é “costume” para, em contraponto, fazer o que “tem de ser feito”, ajudará seguramente Portugal a derrubar as barreiras do imobilismo, da estagnação e da resignação. Mas é preciso coragem e essa está ao alcance de poucos.

As rupturas e os conflitos corajosos têm sempre riscos associados. Porém os portugueses esperam que alguns políticos possam recorrer ao sábio legado milenar do general chinês Sun Tzu, que defendia no seu clássico, A Arte da Guerra, que, “A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço.”

Em 2018 o governo de António Costa conseguiu, de forma hábil, um conjunto de condições que lhe asseguraram a governabilidade. A solidez interna à conta de promessas adiadas consecutivamente; o voto de confiança dos partidos à sua esquerda que fingem nada saber, mas em tudo participam; e o apoio do Presidente da República em nome da estabilidade que é sua responsabilidade. Sem este cenário a ação política da “geringonça” estaria condenada ao fracasso.

O ano de 2019 tem de ser o ano onde a alternativa procure motivar, estimular, e dar esperança aos portugueses. Numa estratégia assente na expressão imortalizada pelo nosso Rei D. João II (o Príncipe Perfeito), que referiu que, “há tempos de usar o olhar da coruja e tempos de voar como o falcão”. 2019 deve ser o ano de voar como falcão.

É crucial assumir de vez a eficácia da “Realpolitik”, que significa a adequação da política à realidade. Este novo ano é o do futuro e esperança, que valorizará o pragmatismo estratégico dos líderes políticos, mais preocupados com a eficácia da sua nobre ação – que coloca primeiro Portugal - do que com o cumprimento de directrizes partidárias ou de objetivos de médio e longo prazo que visam, exclusivamente, a sobrevivência política.

Em 2019 mobilizar energias, motivar vontades, fazer ruturas nuns momentos e revelar dotes conciliadores noutros, será a grande prova dos líderes políticos com futuro.

Para António Costa os indicadores têm sido positivos, mas isso não é necessariamente bom para o futuro de Portugal. António Costa move-se no terreno dos que visam, exclusivamente, a sua sobrevivência política e isso nem sempre é compatível com o interesse de Portugal.
Mas por mais indicadores positivos que se queiram injetar nunca é demais lembrar que as eleições não se ganham nem se perdem por antecipação, ao contrário do que alguns comentadores e jornalistas tendem a vaticinar, proclamando a inevitabilidade de uma vitória do Partido Socialista.

Não é aceitável que se trate o eleitorado com essa presunção e desdém, mesmo se admitirmos que a oposição se encontra numa posição difícil, o que é uma realidade subjetiva. Em 2015 o eleitorado deu uma lição de Democracia aos fazedores de opinião, no entanto alterou-se para sempre o panorama político e as regras parlamentares. Esperemos agora que 2019 possa retificar o erro histórico e recoloque Portugal no caminho do Futuro.

Como ironizava o escritor norte-americano, Ambrose Bierce, “o futuro é o único reduto do tempo em que tudo corre bem”, e para Portugal o Futuro começa hoje!

Artigo publicado on-line no Jornal Público:

https://www.publico.pt/2019/01/03/politica/opiniao/2019-futuro-comeca-hoje-1856439